Zinho recorda críticas na conquista do tetra e acredita que Neymar ainda ‘precisa provar que está bem’
Hoje comentarista, o ex-jogador vestiu a camisa 9 na campanha do título da Copa do Mundo
Zinho, hoje com 58 anos, construiu seu nome no futebol brasileiro com as camisas de Flamengo, Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro. Mas foi com a Amarelinha que entrou em um grupo de jogadores que jamais serão esquecidos: o dos campeões mundiais. Na campanha do tetracampeonato na Copa do Mundo de 1994, o ex-meio-campista vestiu a camisa 9 e foi titular da equipe comandada por Carlos Alberto Parreira.
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Quando se é campeão de algo tão grandioso, a ficha, claro, demora para cair e, às vezes, isso acontece de maneira bastante inesperada. Para Zinho, a percepção do reconhecimento aconteceu em um momento de descontração em um cassino durante uma viagem a Aruba com o objetivo de relaxar após os dias de comemoração no Brasil.
“Vi que ao redor da minha maquininha todos os funcionários estavam vendo eu jogar. Estava jogando US$ 1,00. Eu nem sei jogar. Os caras me reconheceram. O gerente do hotel mandou me chamar, nem ia ficar nesse hotel, ele falou para ficar lá e tive que cancelar a outra reserva. Ele me deu a suíte presidencial, mandou uma limusine me buscar no aeroporto. Tudo de graça. No jantar, tinha música ao vivo. Fui pro restaurante e o cara tocando violino só pra mim e minha mulher. Aí eu falei: ‘É, sou campeão do mundo’”, conta o tetracampeão ao Terra.
Na campanha vitoriosa em que Zinho fez parte, a Seleção Brasileira chegou aos Estados Unidos com um jejum de 24 anos sem título mundial, que só foi igualado pela atual geração. Diante do cenário de pressão, ele foi um dos principais alvos de críticas durante a competição, principalmente por ter atuado mais recuado.
O programa Casseta e Planeta, da Globo, deu ao então camisa 9 o apelido de “enceradeira”, que foi reforçado por críticas de Galvão Bueno durante a competição. O ex-meia, no entanto, só foi saber dos comentários quando voltou ao Brasil.
“Minha família sofreu com as brincadeiras, mas não foi nem o Galvão Bueno, foi o Casseta e Planeta que brincava, chamava de enceradeira. O Galvão fez algumas críticas, não entendia a minha função tática no jogo. É opinião, cada um tem a sua. Só que é um grande narrador da história da televisão brasileira e é um formador de opinião. É claro que quando ele narrava e falava, os torcedores criticavam. Mas, anos depois, ele reconheceu isso, viu que pegou pesado, que não entendia naquela época e depois de algum tempo veio entender como é que a Seleção jogava”, recorda.
Se durante a Copa havia algumas críticas em programas de televisão, antes a incerteza dos torcedores era ainda maior. Craque da Seleção nos Estados Unidos, Romário sequer estava sendo convocado por Parreira para as Eliminatórias. Isso, porém, não era algo que afetava o grupo, segundo Zinho.
“Estávamos preocupados com quem estava na Seleção, não se preocupava com quem não estava sendo convocado. É uma opção do treinador, não é a nossa função. Eu brigava, lutava e trabalhava para ser convocado. Não ficava ligando: ‘Ô, Romário, fica firme, continua trabalhando’. Nem ele ligava pra mim, nem pra ninguém. O Romário não é convocado por uma indisciplina, mas [o Parreira] nunca nos reuniu para falar sobre isso.”
Quando voltou a ser chamado, Romário passou a usar justamente o número que antes pertencia a Zinho: “Inclusive, ele veio falar comigo porque tinha superstição de jogar com camisa 11 e eu que jogava com a 11. ‘Olha, fui falar com o Parreira e ele falou que se você permitir [usar a camisa 11], tem essa superstição. Adoro jogar com camisa 11; Falei: ‘Ô, parceiro, eu quero classificar pra Copa do Mundo. Não interessa a camisa que eu vou jogar. Se você vai fazer gol, joga com a 11 e eu jogo com a 9’. E ele arrebentou, jogou muito.”
A exemplo de Romário em 1994, hoje a Seleção Brasileira vive a incerteza da convocação de Neymar para o Mundial. Ao colocar seu lado comentarista para fora, o ex-jogador acredita que o craque do Santos ainda está devendo fisicamente.
“O Neymar, se for convocado [para os amistosos], é pela história dele na Seleção, pela grandeza que é o nome do Neymar e por acreditar que lá em junho ele vai ter condição física para jogar. Se for analisar pelo que ele está jogando, é muito pouco tempo. Ele fez um bom jogo contra o Vasco. Voltou agora de contusão. Vai ter um jogo contra o Corinthians. Se ele render e fisicamente demonstrar, acho que essa convocação, se vier, é muito no que ele já produziu e que se acredita que em junho ele vai estar bem fisicamente. Mas, na convocação final, ele precisa provar que está bem fisicamente, que está legal que não tem problema de contusão para que possa ir para a Copa e ir lá ajudar, tecnicamente não se discute é um cara que é fora de série”, analisa.
Enquanto vê Neymar precisando demonstrar evolução física para ser lembrado por Carlo Ancelotti, Zinho chama a atenção para a o momento de ascensão de Danilo, do Botafogo.
“O Danilo, do Botafogo, vive um grande momento e, inclusive, está na pré-lista. Acho que ele numa função que o Bruno Guimarães não pode ser convocado, poderia ser testado. Já foi o Andrey, já foi o Jean Lucas, do Bahia, já foram alguns jogadores. Acho que ele pode ter uma oportunidade”, sugere.
A menos de 100 dias para o início do Mundial, o comentarista também destaca a força ofensiva da Seleção Brasileira. O protagonismo, porém, acredita que deve ser assumido por Vinícius Júnior e Raphinha.
“Tem bons jogadores da nossa parte ofensiva, os caras tão no momento muito bom. Acredito no Vini, Raphinha e Estevão. Gosto do Luiz Henrique, acho que o Matheus Cunha é muito bom jogador. Nós temos boas opções. Martinelli e Gabriel Jesus estão jogando bem no Arsenal. Você tem o Igor Jesus, o João Pedro. Tem muita gente boa, mas assim, eu fico muito em Vini, que é um cara que já está estabilizado como jogador, já foi o primeiro jogador do mundo, e o Rapinha, que eu gosto muito”, completa.
No retorno da Copa do Mundo aos Estados Unidos, Zinho estará participando de uma maneira bem diferente de 1994, agora como comentarista. Ele estará no país ao lado de outros 14 nomes na cobertura da ESPN.