Diácono alviverde do Timão apoia São Paulo como padroeiro de esportistas
Na última segunda-feira, foi lançada no Brasil uma campanha para que São Paulo seja nomeado no Vaticano como padroeiro dos esportistas de todo o mundo. Na capital paulista, no entanto, a preocupação mora na rivalidade entre palmeirenses, corintianos e são-paulinos, que poderia fazer com que o santo tivesse menos devotos entre os atletas. Mas a causa parece ter apoio até mesmo da capela do Parque São Jorge.
Para o coronel Sebastião Alberto Corrêa de Carvalho, conselheiro do Panathlon Internacional, a associação esportiva que iniciou a campanha ainda na Itália não se preocupa com a possível resistência de torcedores rivais do São Paulo Futebol Clube. Ele ainda lembra que o material produzido pelos paulinos deixa claro que o movimento não favorece nenhum clube.
"Quem não ler as referências pode até reclamar, mas existe um contexto, tem o centenário da família paulina (comemorado em 2014, ano em que o Papa Francisco anunciará a decisão). O fair play tem de estar acima de tudo. Nossa filosofia é fortalecer e aproximar os povos, mas vamos fazer isso se ficarem com essa frescura de ser rival? É só ver que envolve até os coríntios", ressaltou.
Os coríntios habitavam a região da Grécia e foram evangelizados por Paulo de Tarso em suas missões. A relação do apóstolo com o povo grego é exemplificada na Bíblia Sagrada pelas cartas de São Paulo aos Coríntios, em que diversas citações ao esporte foram feitas pelo santo para disseminar a palavra de Deus entre os gregos.
Essa mesma sociedade inspirou os ingleses, séculos mais tarde, a criarem um time de futebol chamado Corinthian. A equipe britânica visitou o Brasil no início dos anos 1900 em excursão para divulgar o esporte e o desempenho arrasador - seis vitórias em seis jogos -- moveu operários do bairro do Bom Retiro, sob a luz de um lampião, a fundarem um clube na capital paulista, cinco dias depois batizado de Sport Club Corinthians Paulista.
Diácono da capela do Parque São Jorge, Darvin Puerta valorizou os feitos do santo desde a evangelização de povos gentios até o consequente batismo do Timão. Palmeirense declarado e corintiano por profissão, Puerta não vê nenhum problema em alvinegros e alviverdes abraçarem a causa promovida pelo Panathlon Club e pela Família Paulina em ter São Paulo como padroeiro.
"Na torcida sempre existem aqueles 10%, que são os que mais fazem barulho, que vão reclamar, mas acredito que uma teoria bem colocada, com uma imagem do santo com os esportistas e não com os clubes, não terá problemas. Isso é muito maior do que o esporte. A religião católica é mundial. O Vaticano é um país, não um time de futebol", opinou o diácono.