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Concentrado e ex-sonâmbulo; saiba quem é o 1º brasileiro da MLB

19 mai 2012 - 10h49
(atualizado às 14h18)
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Emanuel Colombari

Yan Gomes se tornou na quinta-feira o primeiro brasileiro da história a atuar na Major League Baseball (MLB), principal liga do beisebol mundial. Jogando como terceira base, Gomes conseguiu duas rebatidas em três arremessos diante do pitcher Phil Hughes, do tradicional New York Yankees. No fim do jogo, os Blue Jays venceram por 4 a 1, de virada. Na sexta-feira, conquistou um home run na vitória do Toronto por 14 a 5 sobre New York Mets. E tudo isso começou quase por acaso, com um jovem que andava enquanto dormia e que poderia jogar com o irmão.

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A carreira de Yan começou meio que por acidente no beisebol: quando criança, foi descoberto em um supermercado pelo técnico cubano Augusto Fonseca, que viu nele porte para jogador. Com 11 anos, o agora jogador da MLB jogava em Mogi das Cruzes (SP), ao lado de Yudi Aoyagui e Wilton Tetsuro Watanabe, que ainda hoje jogam beisebol no Brasil - ambos pelo Nippon Blue Jays (SP). Yudi e Yan, na época, defenderam a Seleção Brasileira no Campeonato Pan-Americano pré-infantil, no México.

"Cheguei a ir em uma Seleção com ele, quando a gente tinha dez anos. A gente jogou na Seleção e ficou em terceiro lugar. Depois a gente continuou jogando no Brasil. Acho que ele ficou ainda uns dois ou três anos no Brasil, depois se mudou para lá", conta Yudi, hoje "sem muito contato" com o camisa 68 da franquia de Toronto.

"Um fato curioso e bem engraçado é que, na época em que a gente jogava e viajava para os torneios, todos dormiam em alojamentos. Ficavam aqueles colchões espalhados pelos chão. Até minha mãe lembrou hoje, do nada aparecia um cara no meio da noite chutando tudo. Era o cara, sonâmbulo", relembra Wilton, que foi além.

"Na época em que ele jogou no Brasil, ele jogava em Mogi. Eu sou da idade dele (24 anos). Praticamente o tempo todo em que ele jogou no Brasil, eu estive ao lado dele. A gente aponta o beisebol como uma grande família, e considera o Yan um bom amigo", completou.

De fato, após as passagens pelas categorias de base no Brasil, Yan Gomes se mudou para os Estados Unidos com a família quando tinha 12 anos. Desde então, estudou em Miami, onde continuou jogando beisebol pela equipe da escola. Mais tarde, foi para o Tennessee Volunteers, da Universidade do Tennessee, pela NCAA Division I, pelo qual foi indicado a melhor calouro logo em sua primeira temporada.

Em 2008, teve a chance da carreira do paulistano ao ser draftado pelo Boston Red Sox, mas não assinou contrato. Do contrário, transferiu-se para os Barry Buccaneers, da Barry University, e continuou quebrando recordes. Aí, não teve mais como evitar: foi escolhido pelo Toronto Blue Jays na décima rodada do draft de 2009 da MLB, e conseguiu sua vaga.

Ou melhor, quase conseguiu. Em seu primeiro ano, Yan Gomes jogou pelo Gulf Coast Blue Jays, time E do Toronto na Rookie League. A partir daí, foi subindo de ligas, passando por A, A+, Double-A e Triple-A. E de tanto esperar, chegou a chance: em 17 de maio de 2012, Yan Gomes foi promovido ao time principal do Toronto Blue Jays, substituindo Adam Lind e Brett Lawrie - o primeiro, em má fase, foi rebaixado para o Las Vegas 51s, time B do Toronto Blue Jays, que atua na Triple-A; o segundo, suspenso.

A mãe de Yan, Claudia Gomes, explica como aconteceu a mudança da família para os Estados Unidos. "Tenho um irmão que é cidadão americano, professor de educação física - também sou professora de educação física - e que me convidou a abrir um programa de esportes para crianças com autismo aqui em Miami. Hoje tenho meu próprio programa, em razão de ele ter se mudado de Miami. Então, em 1999, junto ao meu marido - professor de tênis, nos mudamos, como diz aí, 'de mala e cuia' com nossos três filhos", conta Claudia por e-mail, mãe também de Kim Gomes (28 anos) e Juan Gomes (20 anos), todos jogadores de beisebol.

Ex-nadadora, Claudia não sabe explicar como os filhos passaram a arremessar e rebater. "Quando nos mudamos para Miami, logo colocamos eles nas ligas de bairro aqui, e eles sempre tiveram muito sucesso em razão da formação esportiva daí do Brasil - o que nunca nos esquecemos. Kim, o mais velho, sempre talentoso, coincidentemente foi chamado aos 17 anos para ir para o profissional dos Blue Jays, mas teve uma grande decepção e não quis mais.Yan continuou", revelou.

Após a estreia, o ex-colega Yudi - mais um terceira base no Nippon Blue Jays - admitiu ter visto apenas os melhores momentos de Yan contra os Yankees. "Eu li umas reportagens que ele era receptor na Triple-A, e que ele foi para a terceira base porque está rebatendo muito bem", comentou. "Foi digno de um cara que tem muito para demonstrar na Major", completa Wilton, que atua como shortstop (interbases, entre a segunda e a terceira bases) no Brasil.

Do tempo em que jogou no Brasil, Yan Gomes deixou boas lembranças entre os ex-companheiros, que vem o brasileiro como um jogador concentrado e dedicado. A última visita ao País, no entanto, foi registrada por Wilton há cerca de dez anos, de forma que não houve muita conversa com o amigo.

"Ele era mais extrovertido, bem brincalhão. A mãe dele acompanhava na Seleção. Pelo que eu vi ontem, ele parecia um cara muito mais centrado no jogo. Ele estava lá na primeira vez. A bola que ele rebateu foi guardada de souvenir para ele. Mas ele parecia centrado no jogo, diferente de quando a gente era criança", conta Yudi.

"A gente começa a se lembrar de vários fatos. Ele era um cara que tinha realmente o talento, era evidente. Tanto é que, com oito anos, ele foi para a Seleção. Era notável já o talento. Mas uma característica bem marcante dele é que ele era bem focado: o que ele fazia, fazia bem. Ele acreditava que o que ele estava fazendo era certo. Até às vezes para os treinadores era difícil", concordou Wilton.

Desbravador, Yan Gomes surge como um pioneiro do Brasil no principal torneio do beisebol por equipes em todo o mundo. Mas para quem ficou, a expectativa é contar com Yan na Seleção Brasileira. No fim de 2012, o Brasil disputa o qualifying para o World Baseball Classic de 2013 - serão 16 equipes atrás de quatro vagas. Os brasileiros concorrem com Colômbia, Nicarágua, Panamá (chave do Panamá), Canadá, República Checa, Alemanha e Grã-Bretanha (na Alemanha), França, Israel, África do Sul, Espanha (nos Estados Unidos), Taiwan, Nova Zelândia, Filipinas e Tailândia (em Taiwan).

"Vem o Clássico no fim do ano, que é a Copa do Mundo do beisebol. Nossa senhora, acho que é coisa pessoal minha: continuo jogando, tenho a idade que ele tem... Fica um sonho de jogar ao lado dele. Ainda mais porque, com o pessoal que teve a oportunidade de jogar com ele, poucos ainda jogam", projeta Wilton.

O World Baseball Classic acontece em 2013, no Japão, e 12 equipes tem vagas garantidas por terem se garantido através da última edição do torneio: Austrália (Oceania), Japão, Coreia do Sul, China (Ásia), Holanda, Itália (Europa), Estados Unidos, Venezuela, Porto Rico, Cuba, México e República Dominicana (Américas).

E ao que tudo indica, Wilton pode sonhar. "Crescendo no Brasil, você nunca imagina uma coisa assim. Quando aparece uma chance assim, parece que tudo aconteceu muito rápido. Então, definitivamente, tenho que pensar em aproveitar", disse Yan Gomes em sua entrevista coletiva após a estreia contra os Yankees, de acordo com o site oficial da MLB. "Estou orgulhoso, e é uma honra representar meu país", completou.

O catcher Yan Gomes se transformou, nesta quinta-feira, no primeiro brasileiro a jogar na Major League Baseball (MLB). Mesmo fora de sua posição de origem, o atleta, que atuou na terceira base, ajudou seu time, o Toronto Blue Jays, a bater o New York Yankees por 4 a 1
O catcher Yan Gomes se transformou, nesta quinta-feira, no primeiro brasileiro a jogar na Major League Baseball (MLB). Mesmo fora de sua posição de origem, o atleta, que atuou na terceira base, ajudou seu time, o Toronto Blue Jays, a bater o New York Yankees por 4 a 1
Foto: Getty Images
Fonte: Terra
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