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Brigas, invasão e homofobia: torcida única em clássico mineiro é um completo fracasso

Medida adotada por Atlético e Cruzeiro apenas comprova que solução para violência no futebol não é proibir torcedores visitantes

4 fev 2024 - 10h09
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Jogadores do Cruzeiro comemoram vitória diante do Atlético
Jogadores do Cruzeiro comemoram vitória diante do Atlético
Foto: Staff Images / Cruzeiro / Esporte News Mundo

Assim como no último clássico mineiro, o Cruzeiro saiu novamente vencedor diante do Atlético na Arena MRV. A diferença é que, dessa vez, não houve um torcedor cruzeirense sequer no novo estádio do rival para comemorar a vitória. Devido ao veto à torcida visitante, a partida deste sábado contou com 100% de ocupação dos atleticanos.

Por causa de confusões no primeiro clássico na arena do Galo, no ano passado, quando torcedores do Cruzeiro reclamaram das condições de acesso e higiene oferecidas no setor de visitantes e depredaram cadeiras do estádio, as diretorias dos clubes entraram em acordo para que, ao longo de dois anos, os jogos entre as equipes sejam realizados com torcida única.

Se um dos intuitos da medida era coibir a violência, o clássico restrito à torcida mandante logo se mostrou um fracasso retumbante. Antes da partida, grupos organizados de atleticanos e cruzeirenses entraram em confronto em uma das principais avenidas da região metropolitana de Belo Horizonte a caminho da arena.

Durante o clássico, parte da torcida do Atlético entoou gritos homofóbicos contra o goleiro Rafael Cabral, do Cruzeiro. As ofensas podem resultar em punição ao clube. Já no fim do duelo, assim que o time celeste marcou o segundo gol, alguns torcedores atleticanos tentaram invadir o gramado e iniciaram uma briga que teve de ser contida pelas forças de segurança. Vários copos e objetos foram arremessados em direção ao campo.

Com a animosidade e as atitudes homofóbicas de uma parcela considerável da torcida do Galo, percebe-se claramente que torcida única não serve para melhorar a educação e o comportamento do público presente no estádio. Muito menos para evitar confrontos entre torcedores, já que os focos de brigas, muitas vezes marcadas pela internet, tendem a se dissipar pela cidade.

Tanto que a determinação não partiu do Ministério Público nem da Polícia Militar de Minas Gerais, que entendem ser mais fácil organizar um clássico com divisão de ingressos justamente pela previsibilidade de duas torcidas se reunirem em direção a um mesmo lugar. Os órgãos, inclusive, deram o aval para a realização do jogo entre Palmeiras e São Paulo, pela Supercopa do Brasil, no Mineirão, com torcedores dos dois times, ainda que em São Paulo vigore a regra da torcida única nos clássicos locais.

A verdade é que torcida única é solução apenas para o bolso de cartolas-empresários, não para a violência no futebol. Agora comandados por donos, por meio das SAFs, Atlético e Cruzeiro observam como dirigentes lavam as mãos e terceirizam a responsabilidade de seus clubes pelo bem-estar dos torcedores.

Organizar uma partida de futebol, ainda mais um clássico, exige coordenação com autoridades públicas, planejamento e investimento em segurança. Recorrer à muleta da torcida única representa um atestado de incompetência de gestão, além de uma cortina de fumaça para lucrar mais com estádios lotados, higienizados e, ainda assim, violentos.

Fonte: Breiller Pires Breiller Pires é jornalista esportivo e, além de ser colunista do Terra, é comentarista no canal ESPN Brasil. As visões do colunista não representam a visão do Terra.
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