CBF pede investigação contra líder da Gaviões da Fiel após recado polêmico à arbitragem
CBF aciona Ministério Público após presidente da Gaviões da Fiel mencionar hotéis de árbitros
A CBF acionou o Ministério Público de São Paulo para pedir uma investigação criminal contra Alexandre Domênico, presidente da Gaviões da Fiel, após ele publicar nas redes sociais que a torcida sabe onde os árbitros se hospedam. A entidade considerou a declaração intimidatória, solicitou reforço na segurança dos juízes e possíveis restrições ao dirigente nos estádios. O líder da organizada nega a ameaça e afirma que fez um desabafo isolado por insatisfação com a arbitragem.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), nesta quinta-feira (29), a abertura de uma investigação criminal contra Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians. A medida ocorreu após uma publicação nas redes sociais em que o dirigente afirmou saber onde os árbitros se hospedam antes das partidas. A CBF considera que a mensagem pode ter caráter intimidatório, enquanto Domênico nega ter feito ameaças.
O pedido foi apresentado às vésperas do confronto entre Corinthians e Mirassol, marcado para sexta-feira (30), às 20h, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.
Além da investigação, a entidade solicitou reforço na segurança das equipes de arbitragem e a avaliação de medidas que possam restringir a presença do dirigente nos estádios.
O que disse o presidente da Gaviões da Fiel?
A controvérsia começou com uma publicação feita por Alexandre Domênico no Instagram, na quarta-feira (28). Ao reclamar de decisões da arbitragem em jogos do Corinthians, o dirigente afirmou que os torcedores estavam cansados de supostos erros contra a equipe.
Na mensagem, Domênico escreveu que a torcida organizada sabia onde os árbitros se hospedavam antes das partidas. Em outro trecho, declarou: "Isso não é uma ameaça. Só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa."
A publicação levou a CBF a solicitar providências ao Ministério Público. A entidade entende que a referência aos locais de hospedagem dos profissionais, acompanhada de advertências públicas, precisa ser investigada.
CBF aponta possível intimidação e pede investigação criminal
Na representação encaminhada ao MP-SP, a CBF classificou a publicação como uma manifestação de possível natureza intimidatória. A confederação pediu a abertura de um procedimento investigatório criminal ou a instauração de inquérito policial para apurar os fatos.
Segundo a entidade, as declarações podem, em tese, se enquadrar em crimes previstos no Código Penal, como ameaça e incitação ao crime, além de infrações relacionadas à violência em eventos esportivos previstas na Lei Geral do Esporte.
A eventual existência de crime dependerá da análise das autoridades competentes. A CBF também solicitou a preservação dos dados da publicação e a apuração sobre como informações relativas à hospedagem dos árbitros poderiam ter chegado ao conhecimento de terceiros.
Entidade quer reforço na segurança dos árbitros
A representação não se limita ao pedido de investigação. A CBF também solicitou medidas de proteção para os profissionais escalados para os próximos compromissos do Corinthians, especialmente os confrontos contra Mirassol e São Paulo.
Entre as providências estão o reforço da segurança nos estádios, hotéis e trajetos utilizados pelas equipes de arbitragem. A entidade pediu ainda que o Ministério Público avalie a possibilidade de solicitar à Justiça medidas cautelares contra Alexandre Domênico.
Uma delas seria impedir o dirigente de frequentar estádios e suas imediações em dias de jogos. Outra envolveria restrições de aproximação dos integrantes da arbitragem. Essas medidas ainda dependem de análise e eventual decisão judicial.
A CBF também quer que sejam avaliadas providências na esfera cível e coletiva envolvendo a Gaviões da Fiel e dirigentes que possam ter responsabilidade pelos fatos.
Ministério Público pede explicações ao dirigente
Antes da representação apresentada pela CBF, integrantes do Ministério Público de São Paulo já haviam discutido o caso com o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Mauro Silva. Após a reunião, foi decidido o envio de um ofício para que Alexandre Domênico apresente esclarecimentos no prazo de cinco dias.
O Ministério Público deverá analisar os elementos disponíveis e decidir quais providências serão adotadas. Até o momento das informações divulgadas, não havia confirmação da abertura de um inquérito criminal nem de aplicação de medidas restritivas contra o presidente da organizada.
Presidente da Gaviões nega ameaça e diz que publicou mensagem de cabeça quente
Após a repercussão, Alexandre Domênico divulgou uma nota para explicar a publicação. O dirigente afirmou que escreveu a mensagem em seu perfil pessoal, na condição de torcedor do Corinthians, e não como representante oficial da Gaviões da Fiel.
Segundo ele, a manifestação ocorreu em um momento de irritação com decisões de arbitragem que considera prejudiciais ao clube. Domênico também negou que tivesse a intenção de estimular qualquer ato de violência. "Não foi ameaça e nunca será", afirmou.
O presidente da organizada declarou que mencionou mensagens recebidas de torcedores insatisfeitos para demonstrar o clima de revolta provocado pelas decisões contestadas. Ele também argumentou que expressões como dizer que um árbitro prejudicou deliberadamente uma equipe fazem parte das manifestações comuns dos torcedores.
As alegações do dirigente fazem parte de sua defesa e não afastam, por si só, a possibilidade de investigação.
Reclamações sobre pênaltis motivaram desabafo
Na nota, Alexandre Domênico citou lances de partidas do Corinthians para justificar sua insatisfação. O dirigente afirmou que o clube passou 31 rodadas do Campeonato Brasileiro sem receber um pênalti a favor. Também mencionou uma jogada em que um atleta corintiano recebeu cartão amarelo por simulação, antes de uma revisão do árbitro de vídeo (VAR) resultar na marcação de uma penalidade.
Outro lance citado foi um possível puxão de camisa dentro da área que, na avaliação de parte dos torcedores, deveria ter sido punido com pênalti. Domênico afirmou que esses episódios contribuíram para o aumento da insatisfação da torcida. Ele reiterou que pretende continuar cobrando uma arbitragem que considere justa e transparente.
Corinthians enfrenta Mirassol em meio à repercussão
A discussão ocorre em um momento de pressão sobre o Corinthians no Campeonato Brasileiro. A equipe enfrentará o Mirassol nesta sexta-feira (30), às 20h, na Neo Química Arena, em busca de pontos importantes na reta final da competição.
A CBF pretende reforçar a proteção dos profissionais responsáveis pela arbitragem da partida. Em seu comunicado, a confederação afirmou reconhecer o direito de torcedores e dirigentes criticarem decisões tomadas em campo.
Ressaltou, porém, que manifestações não devem colocar em risco a segurança dos árbitros. O caso agora depende da análise do Ministério Público de São Paulo, que avaliará se há elementos suficientes para iniciar uma investigação e solicitar outras providências.
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