Vexame contra Venezuela é mais um da base pós-geração Neymar
A derrota de virada da Seleção Brasileira Sub-17 para a Venezuela na noite da última segunda-feira, pelo Sul-Americano da categoria, pegou muita gente de surpresa e gerou uma forte repercussão nas redes sociais. Muitos torcedores reclamaram do momento atual do futebol nacional e até previram um novo desastre na próxima Copa do Mundo. Mas o fato é que o vexame é apenas mais um na lista de resultados abaixo do esperado que a base brasileira vem acumulando desde que a "geração Neymar" cresceu.
Foi em 2011 o grande ano das equipes de base verde-amarelas. Comandado por Neymar, o Brasil faturou o Sul-Americano Sub-20; praticamente o mesmo grupo, desta vez sem o astro principal, foi campeão do Mundial no mesmo ano; além disso, a Seleção foi campeã sul-americana no Sub-17 e no Sub-15, e ainda terminou em quarto lugar no Mundial Sub-17. Desde então, porém, os resultados – assim como a qualidade do futebol apresentado – despencaram.
Pode ser que as novas gerações não tenham a mesma quantidade de talento nato que tinha aquele time comandado por Ney Franco, com nomes como Neymar, Lucas, Oscar e Philippe Coutinho. Mas só isso explica as frustrações consecutivas na base brasileira? O ano de 2013, por exemplo, já foi terrível: os times Sub-20 e Sub-15 fizeram as piores participações de suas histórias no Sul-Americano, ambos eliminados ainda na primeira fase. Já o Sub-17 terminou em terceiro e conseguiu se classificar para o Mundial, mas caiu para o México nas quartas de final sem convencer.
Outro episódio que chamou atenção foi a derrota do Sub-17 para os Estados Unidos, também há dois anos, na decisão do torneio Nike Friendlies – o time brasileiro não só foi goleado por 4 a 1, como também ficou largos períodos do jogo sem reação, vendo os americanos rodarem a bola à vontade com um jogador a mais no segundo tempo. Neste período, o único resultado expressivo foi a medalha de prata na Olimpíada de 2012.
Já em 2015, a campanha do Sub-20 no Sul-Americano voltou a ser abaixo do esperado: uma quarta colocação que garantiu vaga no Mundial, mas que contou com derrotas pesadas para Argentina e Colômbia e não agradou ninguém. Tanto que Alexandre Gallo perdeu o cargo de coordenador da base da CBF – mas não o de treinador – oito meses depois de assumir prometendo uma reformulação e uma sincronia maior com a Seleção principal de Dunga, algo que nunca aconteceu.
Com uma Olimpíada em casa para ser disputada em 2016, o foco na base da Seleção será mais intenso que nunca nos próximos meses. Equipes de jovens não devem ser montada pensando exclusivamente em ganhar títulos, mas sim em formar jogadores – porém, quando nenhuma das coisas acontece, é motivo para preocupação. O novo coordenador da base da CBF, Erasmo Damiani, deve ter trabalho para impedir que novos capítulos desta triste sequência aconteçam em um futuro próximo.
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