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Automobilismo

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Vicky Farfus, promessa do automobilismo brasileiro, fala sobre carreira e dispara “Quero chegar à F1”

A jovem de apenas quinze anos conversou exclusivamente com o Parabólica sobre seus objetivos na carreira e temporada atual

29 set 2026 - 13h27
(atualizado às 13h28)
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Foto: Divulgação / F1

Aos 15 anos, Vicky Farfus já dá os primeiros passos na construção de sua carreira no automobilismo. A brasileira, que cresceu em meio às pistas acompanhando de perto a trajetória do pai, o piloto do WEC — Augusto Farfus, decidiu aos 13 anos seguir o mesmo caminho e transformar a paixão pelo esporte em carreira. 

Em uma exclusiva ao Parabólica, a jovem falou sobre seu momento atual na Ginetta Junior, categoria de base disputada na Grã-Bretanha, e destacou os desafios que vêm enfrentando no processo de adaptação aos carros. 

“Esse é um campeonato muito específico. A BMW criou uma equipe pra mim, onde eu sou o único carro dentro da equipe. Nós não tínhamos referência nenhuma porque nós não tínhamos um companheiro de equipe para comparar. Está sendo um ano bem difícil.”

Apesar da dificuldade em separar a consequência do equipamento ao exclusivo da pilotagem, Vicky vê evolução em sua performance em diferentes aspectos:

“Sinto que estou melhorando como piloto e fora da pista também, porque está sendo difícil lutar no grid com um carro pior que o dos outros. Nós queremos ver quanto eu realmente estou longe dos caras, porque na equipe anterior nós não sabíamos quanto que eu tomava dos carros e quanto que era de pilotagem mesmo.”

“Meu pai decidiu me colocar na fogueira pra ver como eu vou.”, brincou a jovem. 

Mais do que um campeonato voltado somente para resultados, a brasileira encara a passagem pela categoria como uma etapa de trânsito entre o kart e os monopostos: 

“Esse ano de Ginetta Junior é como um ano de transição, porque é um carro onde você pode dirigir com 14 anos, então está sendo um ano com muito aprendizado.”

“O kart tem só uma marcha, então você só pensa em frear e acelerar. Já no Ginetta, nos fórmulas, vai até a sexta marcha e, dependendo da curva, a marcha é mais curta ou mais longa. Então isso é uma mudança muito grande, a velocidade também é quase o dobro e também é muito mais físico.”

Foto: Divulgação / Iron Dames

Mesmo sem viver os melhores momentos para um piloto dentro das pistas, a jovem destaca a importância de saber lidar com momentos frustrantes, destacando o aprendizado e a evolução que essas situações podem transmitir: 

“É difícil chegar na pista sabendo que o teu carro não está lá pra ganhar, mas saber lutar com o carro pior que dos outros, no meio deles, é muito importante também. A frustração de acordar todo dia e voltar para a pista sabendo que você não está com o carro vencedor, é muito difícil, mas é muito bom para me ajudar a evoluir como piloto”.

Enquanto completa a temporada na Ginetta Junior, Vicky já começa a direcionar a preparação para o próximo passo: a Fórmula 4. A escolha da competição ainda não está definida, destacando a vontade de competir no nível mais alto.

“A Fórmula 4 depende muito dos patrocínios também. Ainda estamos decidindo em qual competir porque cada uma tem os lados bons e os ruins, os positivos e os negativos. Em todos os campeonatos tem duas ou três pistas que valem mesmo e que são pistas grandes.”

“Ainda estamos vendo qual campeonato vai ser o mais forte, com o nível mais alto, quantos pilotos vão ter e para qual equipe ir. Nada está decidido ainda.”

Foto: Divulgação / F1 Academy

A preparação para essa nova fase já começou. Vicky recentemente participou das atividades da F1 Academy através do Rookie Test, disputado em Navarra.

“Ano que vem, quando eu for correr de Fórmula 4, é o que realmente vai valer. Eu estava treinando em Navarra recentemente, em preparação para a Fórmula 1 Academy, e estava todo mundo treinando lá.”

“Eu estava muito forte, todo mundo veio falar comigo, perguntando como estava tão rápida.  Foi a primeira vez ali, então, por esse caminho, está indo muito bem.”

A jovem contou também sobre o processo de seleção para os testes:

“Quando eu fui no Kart, no Champions of the Future Academy, eles já tinham me escolhido pra ser parte do F1 Academy Discovery Drive. Depois que eu parei no kart, contactaram o meu pai e pediram para que eu fizesse a 1ª fase.”

A piloto realizou os mesmos testes que atletas mais velhas e mais experientes, conseguindo se destacar entre elas.

“No lado físico, eu estava muito boa. Eu era a mais jovem, tinham meninas de 25 anos, eu tenho 15, então existe uma grande distância, mas, mesmo assim, eu estava lá entre as primeiras na força física e sendo a mais rápida no simulador.”

“Eles ficaram impressionados. Sendo a mais jovem, foi um pouco mais difícil pra mim, porque eu tinha menos experiência em tudo e eu fiquei muito feliz com o meu resultado. Eu não esperava ser tão forte assim.”, relatou

A futura mudança para a F4 também exigirá novas adaptações físicas. Componentes como o volante e a posição do assento, impõem diferentes demandas das encontradas na Ginetta Junior. A brasileira já inclui treinos específicos em sua rotina.

“Quando estou em casa vou ao máximo na academia, correr e fazer bicicleta, pra conseguir ter o meu corpo preparado. Eu estou treinando muito e tenho treinado com todos os tipos de carros para me adaptar também. A Fórmula 4 tem um volante muito pesado, então está sendo muito bom para isso também.”

No caminho de realizar o sonho de chegar ao grande cenário do automobilismo, a brasileira persiste em melhorar a cada dia, com o seu objetivo já bem decidido: a Fórmula 1.

“Eu tenho sempre esse pensamento de que eu estou trabalhando, mesmo se for 1% todo dia, para poder chegar lá. Eu estou tentando dar um passo por vez, pensar no ano que vem, não em 3 anos, e crescer cada ano para poder chegar lá”.

Entre desafios, adaptações e novos passos, a brasileira tem construído sua trajetória sem perder de vista o objetivo que guia sua carreira: chegar à Fórmula 1. Apesar do longo caminho pela frente, Vicky sabe que é com um passo de cada vez, evoluindo a cada volta, que suas metas se tornarão realidade. 

Parabólica
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