Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Phelippe Streiff: o exemplo da superação e da paixão pela velocidade

O piloto francês nos deixa aos 67 anos e deixa um exemplo de superação após grave acidente que mudou a sua vida, bem como os destinos da F1.

24 dez 2022 - 23h41
(atualizado em 24/12/2022 às 00h07)
Compartilhar
Exibir comentários
Phelippe Streiff: o francês marcou bem a presença pelo seu exemçlo
Phelippe Streiff: o francês marcou bem a presença pelo seu exemçlo
Foto: Twitter / divulgação

As notícias começaram a aparecer e veio a confirmação: nesta sexta, dia 23/12, nos deixou o francês Phelippe Streiff, aos 67 anos. Embora não tenha marcado época na F1, acabou, por conta dela, tendo um acidente que mudou sua vida e influenciou nos destinos de Jacarepaguá e da F1.

Streiff surgiu na onda francesa dos anos 70, onde havia um investimento forte na formação de pilotos e equipes. Com o apoio da Motul, estreia em 1978 em monopostos, obtendo o 5º lugar no campeonato francês de F-Renault. Nos 3 anos seguintes, se divide entre os campeonatos francês e europeu de F3. Conquista o título local em 1981, após um 2º e um 3º lugar. Neste mesmo ano, chega em 2º lugar nas 24 Horas de Le Mans.

Streiff em sua AGS JH19C na F2 na temporada 1984
Streiff em sua AGS JH19C na F2 na temporada 1984
Foto: Twitter / divulgação

Em 1982, sobe para a F2 europeia, conquistando um 6º lugar final. Muda de time em 1983 e melhora mais um pouco, obtendo um 4º lugar. Mesma posição no ano seguinte, quando assume um posto na AGS. Com um empurrão da Elf, estreia com um terceiro carro da Renault no GP de Portugal, largando em 13º lugar, mas abandonando com problemas de transmissão.

Streiff na Renault 33 em Portugal 1984: uma estreia discreta
Streiff na Renault 33 em Portugal 1984: uma estreia discreta
Foto: Twitter / divulgação

A F1 lhe deu um gostinho de quero mais, porém o orçamento não permitiu e ele foi para mais um ano na F2 com a AGS. Porém, as oportunidades apareceram: com a briga entre Ligier e De Cesaris, uma vaga apareceu na equipe francesa. Streiff teve o apoio da Renault e de uma gigante da área de informática para ocupar o posto a partir do GP da Itália.

O carro da Ligier não era dos piores e consegue chegar nas 3 primeiras etapas, marcando um 10º, 9º e um 8º lugar. Como as equipes francesas boicotaram o GP da África do Sul por conta do regime de apartheid e Capelli não poderia ir, Streiff foi liberado para correr pela Tyrrell, porém abandonando à 16ª volta. Na Austrália, retorna à Ligier e consegue seu melhor resultado na F1: um 3º lugar. Porém, se envolveu em um acidente com seu companheiro Jacques Lafitte na última volta, que chegou em 2º e quase pôs o pódio duplo a perder...

Pódio do GP da Austrália 85: quase não aconteceu....
Pódio do GP da Austrália 85: quase não aconteceu....
Foto: Twitter / divulgação

Este incidente fechou a porta na Ligier. Mas como deixou uma boa impressão na Tyrrell e com o apoio da Renault e da Elf, foi escolhido para o time em 1986. Foi um ano difícil, pois o 015 não nasceu bem e o melhor que aconteceu foi um 5º lugar (Austrália) e um 6º (Grã-Bretanha).

Foi mantido mais um ano e, em conjunto com Jonathan Palmer, dominou o campeonato de aspirados e foi o vice-campeão da Taça Jim Clark (contamos essa história aqui). Mesmo assim, obteve um improvável 4º lugar na Alemanha e um 6º na França.

Streiff em ação com a Tyrrell no GP de San Marino de 1987
Streiff em ação com a Tyrrell no GP de San Marino de 1987
Foto: Twitter / divulgação

Em 1988, recebe um convite da AGS e retorna para o time onde competiu na F2. O JH23 mostrou potencial, porém o máximo que conseguiu foi um 8º lugar no GP do Japão. E chegamos a 1989...

A AGS começaria a temporada com uma versão revisada do carro de 1988. Streiff teria a companhia de Joachim Winkelhock e estava fazendo o trabalho de preparação na pré-temporada em Jacarepaguá. Em um dia de greve no Rio de Janeiro, poucos fiscais na pista e um Santo Antônio mal-fixado fizeram muita coisa mudar...

Por uma sucessão trágica de fatos, Streiff foi retirado do carro sem grandes problemas, mas acabou ficando paraplégico. Jacarepaguá acabou ficando mal-vista pela F1 e isso ajudou à não continuação da pista no calendário. E a fixação do Santo Antônio dos carros deixou de ser por parafusos e passou a ser direta no chassi. O Projeto Motor contou muito bem esta história aqui.

A AGS de Streiff sendo devolvida aos boxes. Este acidente mudou muita coisa para o piloto e a F1
A AGS de Streiff sendo devolvida aos boxes. Este acidente mudou muita coisa para o piloto e a F1
Foto: Twitter / divulgação

O francês acabou tendo que se reinventar.  Seguiu ligado ao automobilismo através da organização do festival Masters de Kart em Bercy (França) e até chegou a participar de um consórcio para a compra da Ligier em 1994, mas sem sucesso. Posteriormente, chegou a assumir cargos em governos locais e trabalhou junto à Federação Francesa.

Streiff é mais um da geração francesa dos 70/80 a nos deixar. Algumas semanas atrás, tivemos a partida de Patrick Tambay. Pode não ter marcado seu nome com resultados, mas deu exemplo de que a vida pode seguir, mesmo com os percalços que aparecem. O fato de estar tetraplégico não impediu de seguir perto de sua paixão.

Parabólica
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade