Limites de pista: a eterna discussão sobre eles e não só na F1
O GP da Áustria traz mais uma vez a discussão sobre os limites de pista. A regra é clara sobre isso, mas a aplicação sempre traz problemas
Este assunto volta e meia aparece na pauta do automobilismo, principalmente na F1. O GP da Áustria acaba por deixa a questão mais aberta ainda. Nas categorias de base, a coisa foi intensa e na corrida principal, ficou melhor ainda: 1200 ocorrências para análise, segundo a FIA. Somente na corrida.
Mas por que esta discussão toda em relação a isso? Afinal de contas, lendo as regras da FIA, parece cristalino. Indo no detalhe, está lá na letra c) do item 2 do Capítulo 4 do Anexo L do Código Internacional Desportivo da FIA o que se fala sobre o assunto, e transcrevo aqui:
c) Pilotos devem usar a pista o tempo todo e não devem deixá-la sem uma razão justificada. Para evitar quaisquer dúvidas, as linhas brancas definem os limites de pista e são consideradas parte da pista, mas as zebras não.
Devendo um carro deixar a pista por qualquer razão, o piloto poderá voltar.
Entretanto, isto poderá ser feito somente quando for seguro para tal e sem ganhar qualquer tipo de vantagem duradoura. Um piloto deverá ser julgado se tiver deixado a pista se nenhuma parte do carro estiver em contato com a pista.
Um piloto pode ser avaliado pelos Comissários, devendo eles analisado qualquer ato que resultar em levar detritos para a pista.
Nem tudo que parece simples, é. Aqui é o caso. Atualmente, os Comissários podem usar não somente de imagens, mas dados de telemetria e sensores. Porém, entra o subjetivo na história, por mais que as regras sejam claras.
Aí sempre são citadas as brigas de Arnoux e Villeneuve em Dijon 1979 e o automobilismo americano. Nos Estados Unidos, o enfoque é o do espetáculo e já vimos tantas vezes a questão de pista ser solenemente ignorada. Quer exemplo melhor do que a ultrapassagem de Zanardi sobre Bryan Herta em Laguna Seca?
Nos últimos anos, as áreas asfaltadas têm ganho espaço nos autódromos para poder reduzir problemas com... brita e grama. Embora estas sejam muito eficientes para definir os limites de pista, acabam sendo potenciais fatores de risco, pois podem não parar o carro convenientemente ou até mesmo aumentar o problema (a múltipla capotagem de Simon Pagenaud neste fim de semana em Mid-Ohio foi por conta...da grama)
Para quem não viu, a batida de Simon Pagenaud em vídeo.
Foram sete capotagens.#FormulaIndy #Indy #Indycar #Honda200 pic.twitter.com/1ubKrLHXKC
— Fórmula Indy Oficial (@FormulaIndy) July 1, 2023
A solução de colocar obstáculos como as salsichas podem ser efetivas, mas também perigosas. Vimos diversos carros decolando por conta delas (Alex Peroni em Monza 2019 pela F3 foi um exemplo).
A situação aqui nada mais é do que usar o bom senso. Além de ser plasticamente bonito para quem vê, os Comissários têm ações mais importantes durante a prova do que ficar verificando detalhes de limites de pista (como os tais 1200 casos citados pela FIA no GP da Áustria).
Podemos listar vários exemplos. Não existe uma resposta 100% efetiva. Este escriba aqui é favorável à colocação de grama e brita para evitar este problema, mesmo sabendo dos problemas que acarretam.
O fato é: os pilotos buscarão qualquer milímetro que possa ganhar tempo. Evitar isso só se partir para hipnose ou lobotomia. Podemos ver isso nos circuitos de rua, onde os limites são claros: se errar, é muro. Só que passam raspando e até tocam certas vezes. Mas o limite é e será sempre testado. Deixem eles correr.