F1: o lento aumento da representatividade na categoria
Algumas equipes estão na luta para deixar o automobilismo um lugar mais igual, mas não contam com aparente apoio real da categoria.
Desde quando assumiu o comando da F1, um dos objetivos da Liberty Media foi aproximar a categoria de seu público, retirando o aspecto elitista. E um dos aspectos que surgiram foi a questão da inclusão de novos públicos e o aumento da diversidade no ambiente da F1.
Continuar como sempre "não é o mantra das organizações com visão de futuro", afirma a McLaren em seu mais novo comunicado sobre o compromisso da equipe com Diversidade, Igualdade e Inclusão. O time inglês é um dos poucos do grid a trabalhar de forma efetiva para mudar o cenário representativo da F1 e divulgar isso.
Mesmo com o grande movimento de cobrança por parte da nova geração de fãs da categoria, que pede por um esporte mais inclusivo, muitos outros criticam os movimentos e ações da McLaren, Aston Martin e da atual octacampeão Mercedes. Foi por essas "críticas" que a equipe laranja decidiu fazer um texto explicando (com a presença de alfinetadas) o porquê desse empenho em mudar o cenário interno da McLaren.
A Mercedes, em parceria com Lewis Hamilton, é outra equipe que efetivamente busca mudar seu ambiente de trabalho que sempre foi predominantemente branco e masculino, por meio de projetos como o Accelerate 25 (proposta de ter ao menos 25% de seu quadro de funcionários vindo de minórias até 2025) e apoio direto aos programas de seu piloto estrela, como a Mission44 e a Comissão Hamilton, que buscam abrir portas para pessoas pretas terem oportunidades iguais na formação em áreas como ciência, tecnologia, matemática e engenharia (STEM - sigla em inglês).
Um dos rostos mais marcantes da Aston Martin nas redes sociais é o Chefe de Comunicações Matt Bishop. Como homem gay, ele teve papel fundamental para a equipe se tornar uma advogada dos direitos da comunidade LGBTQIA+! Sua pilota de testes e embaixadora, Jessica Hawkins, também é um representante do grupo como mulher assumidamente lésbica. Com essas presenças, o tetra campeão Sebastian Vettel foi muito vocal durante sua última temporada na Fórmula 1 e usou de sua imagem para discutir questões ambientais e sociais juntos a Aston Martin, além de vários eventos com comunidades nos mais diversos lugares em que a F1 passou e na Grã-Bretanha.
Empenho honrável, mas solitário!
A própria Fórmula 1 também se movimentou. Além de campanhas institucionais contra o racismo e outros tipos de crimes de ódio, comprou a ideia da Comissão Hamilton e disponibilizou bolsas de estudos na Europa para minorias e usa muito de "comunicados" e sentenças para apoiar essas causas. Mais recentemente lançou a "F1 Academy" com a intenção de criar oportunidade para mulheres pilotarem em monopostos, mas sem dar certeza de que isso vai gerar um resultado efetivo. As iniciativas são importantes, porém são uma minúscula participação nessas lutas por igualdade dentro do esporte.
Contudo, os efeitos das campanhas, projetos e trabalhos que estas ambas as equipes estão empenhadas, já estão aparecendo em suas porcentagens, e o fã da categoria não precisa nem pensar muito em números, isso já é visto a cada foto conjunta das equipes no final da temporada.
A questão é: que méritos a categoria pode ter nesses números quando isso virar notícia real fora da bolha automobilistica? Seria injusto dizer "a F1 se torna mais inclusiva a cada ano" quando a mesma não tem uma ação efetiva sobre. Essa ausência da categoria também acarreta um efeito dominó em relação as demais equipes, que não sentem a mesma necessidade de mudanças de cenário que Mercedes e McLaren vem como objetivo, o que dificulta qualquer mudança efetiva no futuro.
E como diz na pesquisa (McKinsey & Company) apresentada pela própria McLaren em seu comunicado, a diversidade dentro de uma empresa a coloca em vantagem competitiva, pessoas de realidades e vivencias diferentes podem criar de 15% a 35% de chances daquela empresa superar outras do mesmo ramo de atuação.
Ou seja, seria não só de interesse social, mas também comercial, a F1 se empenhar mais para tonar o esporte empoderado, representativo e inclusivo. Contudo, esse não parece ser um objetivo real (e nunca foi) da categoria no momento presente ou futuro próximo. Reconhecer a questão e fazer algo para mudar, é importante. Mas o tamanho e a velocidade das mudanças acabam deixando a desejar.