F1 Academy: Como o rejuvenescimento do grid pode ampliar as chances de mulheres na F1
Mudança na média de idade das pilotos da F1 Academy deve ser um dos grandes destaques da temporada 2026
Com o anúncio da jovem Rachel Robertson, de apenas 17 anos, para o grid da próxima temporada da F1 Academy, nove pilotos já estão confirmadas no campeonato. E mesmo com muitos nomes ainda a serem anunciados, há um ponto que chama atenção: as idades das competidoras.
A F1 Academy é conhecida por ser um dos primeiros passos das mulheres nos monopostos, por ser uma categoria totalmente feminina, mais financeiramente acessível e com visibilidade internacional. Desde sua criação, a média de idade das pilotos tem apresentado uma queda progressiva, tornando-se um dado que ajuda a entender melhor o seu papel dentro do automobilismo.
Em 2023, na temporada inaugural, a média de idade das pilotos era de aproximadamente 20,7 anos, muitas já com alguns anos de carreira e boa quilometragem em carros de fórmula. No ano seguinte, esse número caiu para 20,3 anos, impulsionado pela introdução de pilotos convidadas mais jovens (Wild Cards) e com menos experiência.
Entretanto, foi em 2025 que esse tipo de mudança começou a ser percebido pelo público. A média foi reduzida para 19,9 anos, e todas as pilotos tinham menos de 22, exceto Courtney Crone, de 25, idade limite para participar da competição. Além disso, a maioria disputaria apenas a primeira ou segunda temporada completa nos monopostos.
Ainda que essa média possa parecer relativamente elevada se comparada a campeonatos de Fórmula 4, é preciso considerar o contexto específico da F1 Academy, que passou por mudanças graduais em sua estrutura. Por exemplo, observa-se que pilotos mais velhas e experientes deixaram a categoria, enquanto nomes significativamente mais jovens passaram a ocupar esse espaço.
Torna-se evidente o esforço da categoria para se adequar, temporada após temporada, ao seu objetivo principal: oferecer um “pontapé inicial” mais acessível na carreira das pilotos. O cenário começa a mudar e, após três temporadas, 2026 tende a ser o primeiro ano em que a F1 Academy deve apresentar um grid com idades e níveis de experiência semelhantes, reforçando seu papel no desenvolvimento das competidoras.
Esse processo de rejuvenescimento acompanha uma tendência mais ampla do automobilismo moderno, com pilotos cada vez mais jovens ingressando nos monopostos. Assim, além de talento, visibilidade e recursos financeiros, o fator idade em determinada fase da carreira pode ter um peso cada vez mais evidente no caminho para a Fórmula 1.
Dessa forma, a redução da média de idade ao longo das temporadas surge como mais uma evidência da evolução da F1 Academy e de sua crescente importância na formação das pilotos que buscam avançar nas categorias de base e dentro do automobilismo internacional. Para que, no futuro, a categoria se afirme efetivamente como contribuição em um cenário no qual possamos voltar a ter uma mulher na Fórmula 1.