F1 2026: Ferrari se diz prejudicada por "rede de segurança" injusta criada pela FIA
Fred Vasseur critica alteração de última hora nas largadas da F1, que reduziu vantagem construída pela Ferrari
O chefe de equipe da Ferrari, Fred Vasseur, manifestou publicamente sua insatisfação com as recentes decisões da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) a respeito das regras de largada para a temporada de 2026 da Fórmula 1. De acordo com o dirigente, a entidade máxima do esporte introduziu modificações de última hora sob o pretexto de segurança, o que acabou salvando equipes rivais que não conseguiram se adaptar ao novo regulamento técnico. Com isso, uma vantagem competitiva crucial desenvolvida de forma legítima pelos italianos acabou sendo severamente reduzida.
A polêmica gira em torno da nova configuração dos motores para 2026, que perderam a assistência do MGU-H, o componente responsável por reaproveitar a energia dos gases do escapamento para girar o turbocompressor. Sem esse auxílio elétrico inicial, as largadas tornaram-se um imenso desafio de engenharia, aumentando consideravelmente o risco de os carros patinarem ou apagarem completamente no momento da partida. Sabendo dessa dificuldade, a Ferrari adotou uma abordagem estratégica rigorosa durante o desenvolvimento de sua unidade de potência.
Cerca de um ano atrás, a diretoria técnica de Maranello chegou a procurar a FIA para alertar sobre os riscos e as complexidades envolvidas no formato original das regras. Na ocasião, a resposta da federação foi clara e direta ao afirmar que cabia exclusivamente às equipes projetarem seus carros de acordo com o regulamento estabelecido, e não o contrário. Diante desse posicionamento, a Ferrari aceitou fazer sacrifícios técnicos importantes, abrindo mão de potência final em altas velocidades para priorizar um sistema que garantisse arrancadas eficientes e seguras.
No entanto, à medida que os novos carros foram para a pista, diversas equipes concorrentes perceberam que estavam em uma situação alarmante e incapazes de realizar procedimentos de largada seguros. Diante da iminência de fracassos na pista, uma articulação política entre chefes de equipe e pilotos elevou o tom sobre os riscos de acidentes na largada. Pressionada, a FIA acionou sua cláusula de segurança para alterar as diretrizes no último momento, implementando um sistema de suporte elétrico para evitar que os carros ficassem estagnados no grid.
Vasseur reconheceu que a manobra política dos adversários foi astuta, mas criticou duramente a falta de isonomia da decisão. O chefe da Ferrari pontuou que, se o órgão regulador considerava o projeto de quase metade do grid perigoso para as largadas, a alternativa correta e justa seria obrigar esses carros a largarem do pitlane, em vez de alterar a regra geral de última hora para acobertar erros de projeto alheios. Para o dirigente francês, a mudança serviu como uma espécie de rede de segurança injusta que pune a competência e premia quem não cumpriu as exigências iniciais.
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