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Como Sam Schmidt superou tetraplegia de 21 anos para dançar com filha em casamento

Acidente em teste da Indy deixou Sam Schmidt paraplégico em 2000. 21 anos depois, ex-piloto e acionista da McLaren SP voltou a andar para dançar com a filha Savannah

23 jun 2021 04h32
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Sam Schmidt comemora com Pato O'Ward
Sam Schmidt comemora com Pato O'Ward
Foto: Indycar / Grande Prêmio

Sam Schmidt ficou tetraplégico aos 36 anos de idade. Membro da Treadway na IRL, participava de um teste de pré-temporada em 2000, no oval Walt Disney World, quando sofreu uma forte batida. O impacto destruiu duas vértebras do piloto, que parou de respirar por quatro minutos.

Ressuscitado e resgatado pela equipe médica, passou por dias de angústia e falta de esperança no hospital. A lesão foi parecida com a do ator Christopher Reeve, conhecido pelo papel de Superman nos cinemas, e que nove anos depois de tetraplegia, morreu após uma infecção. Apesar de tudo, Sam escapou com vida.

Apenas 14 meses depois da batida, decidiu voltar ao automobilismo, mas como dono de equipe. Criou a Sam Schmidt Motorsports, que rapidamente virou uma potência na Indy Lights, produzindo campeões como Thiago Medeiros, Jay Howard, Alex Lloyd, Josef Newgarden e Sage Karam. Na Indy, marcava presença nas 500 Milhas de Indianápolis, apesar das dificuldades de expandir o programa. Teve o ápice em 2011, com a pole de Alex Tagliani no Brickyard.

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O acidente de Sam Schmidt, em 2000
O acidente de Sam Schmidt, em 2000
Foto: L.M. Otero/AP / Grande Prêmio

A equipe passou a crescer, especialmente com as chegadas de Ric Peterson e Davey Hamilton como acionistas. Simon Pagenaud trouxe as primeiras vitórias, que tiveram sequência com James Hinchcliffe. Em 2019, foi anunciada a parceria com a McLaren a partir de 2020. Hoje, Pato O'Ward tenta levar a equipe ao título. Com sucesso no automobilismo, Sam colocou o foco em outro sonho: dançar no casamento da filha Savannah.

O início desta trajetória é em 2013, quando Sam teve o sonho de pilotar novamente realizado. Em projeto com a Arrow Eletronics, uma equipe de engenheiros modificou um Corvette que permitia com que Sam guiasse utilizando o movimento da cabeça. Foi com este carro que o ex-piloto participou do Carb Day da Indy 500, em 2014, alcançando a marca de 170 km/h.

"Apenas brincando, eu disse: 'se vocês tiverem sucesso com este Corvette, quando minha filha estiver preparada para casar, vocês vão ter que criar algo para que eu acompanhe ela ao altar e faça parte do casamento", disse Schmidt ao jornal americano IndyStar.

Schmidt e Hinchcliffe comemoram em Long Beach
Schmidt e Hinchcliffe comemoram em Long Beach
Foto: Indycar / Grande Prêmio

Savannah, que tinha apenas dois anos quando o pai se lesionou em janeiro de 2000, namorava com o agora marido Adam por dois anos em 2019. Vendo que o matrimônio se encaminhava, Sam decidiu abordar a Arrow novamente para realizar o sonho.

"Eu tinha o sentimento de que as coisas estavam indo naquela direção e ele estava perto de propôr. Então eu disse a eles: 'não sei quanto tempo tempos, mas não é muito. Precisamos trabalhar", declarou Sam.

Focada no projeto, a Arrow designou quatro engenheiros para criar um exoesqueleto que fizesse Sam andar. Eles utilizaram uma estrutura base, testada e comprovada, para adaptação. Adicionaram recursos de teconologia e peronalizaram ao tipo de lesão sofrida por Schmidt, maior que o desenho do dispositivo.

O aparelho é instalado da cintura para baixo, com motores nos joelhos e quadris para simular uma caminhada. Schmidt precisou ir para a academia. A densidade e atrofia óssea são recorrentes para quem ficou mais de 20 anos sentado. Ele não tinha usado nenhum destes músculos, e tinha de ter certeza que eram fortes o suficiente.

Sam passou de quatro a cinco dias por semana fazendo exercícios e perdendo peso para o grande dia: 25 de abril de 2021. Schmidt esperava levar Savannah ao altar, mas o terreno do bosque era difícil até para transportar sua cadeira de rodas. Após o casamento, Savannah estava na recepção. O exoesqueleto exige que uma pessoa equilibrasse Sam por trás.

"E nós entramos juntos, e foi a primeira vez que ela me viu de pé e andando. Então, dizer que não tinha um olho seco naquela sala é quase um eufemismo", relembrou Sam, que além de dançar com a filha, também dançou a música 'Stand By Me' com a esposa.

Sam Schmidt dança com a filha Savannah
Sam Schmidt dança com a filha Savannah
Foto: IndyStar / Grande Prêmio

"Quando minha mãe foi ter a dança com ele, foi quando a emoção tomou conta do local. Foram 21 anos sem que minha mãe tivesse a experiência de dançar com ele em pé. Naquele momento, mesmo que apenas por uma dança, ela teve isso de volta. Foi o momento mais especial que já presenciei", relembrou Savannah ao IndyStar.

"Foi louco, caótico, melhor do que qualquer pessoa esperava. Foi eufórico. Esqueci como era a vista aqui de cima, porque estou sentado e olhando para a cintura das pessoas por 21 anos. Estive de pé e olhando no topo de suas cabeças", comentou Sam.

O exoesqueleto de Schmidt é apenas a versão 1.0. Segundo o ex-piloto, o objetivo é que ele levante e ande. O protótipo exige que o corpo transfira peso para a direita e esquerda, para mover as pernas. Schmidt não consegue executar a função. A Arrow trabalha na versão 2.0, que usará o comando de voz para permitir que Sam inicie as etapas e não necessite de ajuda. "O grande obstáculo da etapa 3 é sem as mãos. Eu mesmo fazendo isso", completou.

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