F4 Brasil: categoria aprovada. Agora, o desafio do segundo ano
Em seu primeiro ano, a F4 Brasil se consolida como a porta de entrada padrão FIA para os jovens pilotos brasileiros. A ver como será 2023
Após várias idas e vindas, a F4 veio ficar entre nós neste 2022. A categoria de entrada nos monopostos de acordo com a estrutura de acesso à F1 pensada pela FIA já havia sido anunciada algumas vezes. Porém, por questões organizacionais e financeiras, as promessas não foram cumpridas...
A VICAR, organizadora da Stock Car, após várias análises, resolveu concretizar este projeto aparentemente impossível. Não que houvesse outras categorias que se prestassem a ser esta ponte de transição do kart para os monopostos. Entretanto, não eram poucos que falavam que “melhor caminho para piloto brasileiro fazer carreira em monoposto é o aeroporto”.
Com o apoio da CBA e outros parceiros, o projeto foi sendo desenhado. A intenção não era somente mais uma categoria, mas sim seguir os padrões estabelecidos internacionalmente, inclusive o pacote técnico (Tatuus/Automecanica), e servir como uma base sólida para os próximos passos de carreira.
Não tivemos somente flores. Por exemplo, os carros ficaram prontos um pouco antes da temporada começar, o que deu pouca chance de contato com os carros. Tanto que a primeira prova, no Velocittá, teve um festival de problemas de largada por conta da falta de experiencia dos pilotos.
Mas o resultado é extremamente positivo. Conversando com Gastão Fraguas Filho, líder do projeto F4 Brasil, os objetivos foram cumpridos. Afinal, o principal foco é desenvolver os pilotos para os monopostos. E as corridas mostraram o crescimento de todos.
Chamou a atenção a participação neste primeiro grid de nomes pesados do automobilismo nacional, como os Barrichello (Felipe Bartz e Fernando “Fefo”), Giaffone (Nicolas, filho de Felipe Giaffone) e Monteiro (Nick Monteiro, filho de Beto Monteiro). As dinastias seguem nas pistas, combinados a tantos outros que batalham há tempos nas pistas nacionais.
Como realização deste primeiro ano da F4 Brasil, Fraguás citou o anúncio de Pedro Clerot, campeão do primeiro ano da categoria, pela MP Motorsport na temporada 2023 da F4 espanhola e a escolha de Aurélia Nobels no programa Girls On Track da FIA, que permitirá à pilota participar da F4 italiana e do programa de desenvolvimento da academia de pilotos da Ferrari no próximo ano.
Mas também podemos citar Ricardo Gracia correndo na F4 Espanhola, além de Ricardo Cho e Fernando “Fefo” Barrichello testando na F4 Italiana, visando vagas para 2023. Aos poucos, uma nova leva de pilotos brasileiros se prepara para atuar no exterior e, quem sabe, poder conquistar títulos e conseguir chegar na F1.
Para 2023, Fraguás confirmou que deverá ser mantido o formato de 16 carros divididos por 4 equipes, bem como o sorteio de pilotos por elas. Além disso, espera-se que uma parte do grid siga em um segundo ano, porém sem inviabilizar a participação em outros certames. Mas o objetivo maior é dar espaço para que os novos nomes do kart possam iniciar a transição para os monopostos. O calendário deverá seguir o padrão deste ano, dividindo etapas com a Stock Car. Pelo menos 6 etapas com 3 corridas cada.
Como categoria escola, a F4 Brasil passou de ano. A ver se o desempenho se mantém no segundo ano e segue o caminho de ajudar na carreira dos jovens pilotos, não só brasileiros. Afinal de contas, a versão argentina chegou a ser anunciada, teve algumas provas, porém não teve seguimento...