Cacá Bueno cita pressão por ser filho de Galvão e relembra roubo do relógio do ‘tio’ Senna
Piloto da Stock conversou com o Terra e falou sobre a relação com o pai e com o tricampeão mundial
Dos 49 anos de vida, Cacá Bueno passou mais de 30 competindo em autódromos ao redor do mundo e outros tantos colecionando histórias enquanto o pai, Galvão Bueno, era a voz da Fórmula 1 no Brasil. Apenas na Stock Car, são cinco títulos na prateleira do dono do carro #0, que hoje se divide entre a categoria, a Nascar Brasil e o trabalho de apresentador no SBT.
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“É um ano movimentado. São 21 datas, mas a gente tem mais de 42 duas corridas para fazer ao longo de 2026. Então é bastante competição. Me desdobro também já com as coisas de bastidores, de área comercial, de marketing, de futebol, alguma coisa um pouco mais pública nesse sentido”, conta em entrevista ao Terra.
A paixão pelo automobilismo não é por acaso. Quando Cacá era um garotinho, seu pai já rodava o mundo narrando provas de Fórmula 1. Toda essa influência ajudou o piloto principalmente a encontrar patrocinadores e com visibilidade no início da carreira, mas, ao mesmo tempo, o levou a sair do Brasil para se livrar da pressão.
“Se eu ganhasse uma prova, falavam que era por ser filho do Galvão. Se outro garoto ganhasse, era chamado de fenômeno. Tinha essa cobrança, mas não atrapalhou de jeito nenhum, mais ajudou do que atrapalhou. Era uma cobrança que eu precisava me livrar e que consegui desvincular com a passagem pela Argentina, que foi fundamental. Meu pai não era conhecido lá e eu tive muito sucesso”, recorda.
Com o pai que tem, Cacá cresceu em um ambiente cercado de nomes importantes do esporte. Um deles era um grande amigo de Galvão e uma figura que o então garoto considerava um tio: o tricampeão mundial Ayrton Senna.
“Quando tinha testes de pneus em Jacarepaguá, o Ayrton gostava de ficar hospedado em casa. Meu pai e minha mãe iam trabalhar e ele falava pra eu ir com ele. A gente ia para o autódromo e eu passava o dia lá na lanchonete. Quando eu ficava cansado, eles me botavam sentado dentro do Fórmula 1 e eu cochilava. Meu convívio com o Ayrton era nas férias, mas era o tio Ayrton, e para tio você não pede autógrafo ou foto”, recorda.
Quando Senna morreu em acidente no GP de San Marino de 1994, Cacá tinha apenas 17 anos. Com poucos registros ao lado do ‘tio’, o garoto recebeu da mãe um relógio que era do amigo da família. O acessório, porém, não está mais com ele.
“Tenho pouquíssimas recordações em casa do Ayrton. Eu tinha um relógio que ele tinha dado pra minha mãe e que me roubaram depois de alguns anos. Essa era a única memória que sinto muito ter perdido. Era um relógio daquele Tag [Heuer, marca de relógio] que ele usava. Quando ele faleceu, minha mãe deu pra mim eu guardei durante muitos anos. Eu guardava num cofre, me mudei de uma casa para outra e quando eu fui abrir o cofre para me mudar, tinha passado um monte de gente por dentro da minha casa e eu não sei quem ou quando foi, mas o relógio não estava mais lá”, lamenta sobre o objeto.
Sem mais qualquer lembrança física do 'tio', Cacá ainda guarda na memória um momento que foi especial para sua infância. Após a histórica vitória de Senna no GP Brasil de 1991, o ainda garoto deu uma ajuda inusitada ao ídolo brasileiro.
“Ele sai muito cansado e o troféu quase caiu da mão dele. Eu estava na cabine com meu pai, e ele agenda uma entrevista. A gente espera o autódromo esvaziar e, quando acaba, vamos até os boxes. Ele pega o troféu e entrega para mim. Eu vou pelo paddock da Fórmula 1 segurando o troféu de vitória do GP Brasil, do Ayrton, caminhando, me sentindo a pessoa mais importante do mundo. Ninguém me olhou, óbvio, mas eu me senti a pessoa mais importante do mundo e vou caminhando até o helicóptero, sento no helicóptero, viajo, vou com meu pai até lá e fico nos bastidores”, lembra o piloto.
