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Atletismo

Quando iremos superar a barreira dos 10s nos 100m rasos?

Robson Caetano foi o primeiro brasileiro a correr os 100 metros em 10 segundos, em 1988, e desde então nenhum sul-americano o superou

2 ago 2018 - 09h00
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No mesmo dia em que boa parte dos brasileiros ficou nervosa por causa do jogo entre Brasil x Costa Rica, 22 de junho de 2018, pela Copa do Mundo da Rússia, o velocista Paulo André de Oliveira alcançou uma marca importante nos 100m que não teve grande repercussão. Ele correu a prova de velocidade mais nobre do atletismo em 10s06, tempo mais rápido de um brasileiro em 18 anos, desde que André Domingos atingiu a marca. Com isso, se reacendeu a expectativa de alguém superar o histórico recorde sul-americano de Robson Caetano, que correu 10s00 há 30 anos.

Paulo André disputava a final do Meeting de Madrid, na Espanha. Ele terminou a corrida na quarta posição com o melhor tempo da carreira, atrás do sul-africano Akani Simbine, que fez 10s01, do italiano Filippo Tortu, com 9s99, e do chinês Bingtian Su, que ganhou o ouro com 9s91. Inclusive, Tortu e Su conseguiram o melhor tempo da história dos seus países na prova.

Paulo André se tornou o velocista mais rápido de sua geração
Paulo André se tornou o velocista mais rápido de sua geração
Foto: Bruna Prado / Getty Images

O recorde sul-americano dos 100m é o mais antigo e o mais lento dos recordes continentais da prova. Robson Caetano o alcançou na final dos 100m rasos do Campeonato Ibero-Americano de 1988, disputado na Cidade do México, mesmo lugar em que, 20 anos antes, o norte-americano Jim Hines se tornou o primeiro homem a correr a prova abaixo dos 10s. O feito o rendeu a medalha de ouro na prova e demorou quase dez anos para ser igualado.

Vídeo do Comitê Olímpico da prova de Jim Hines

O próprio Robson garante que ele também conseguiu correr abaixo da marca no dia. “Eu realmente corri 9s98. Isso é inegável, todos viram, é uma marca que aconteceu realmente e ficou lá registrado. Infelizmente nós vivíamos uma era de muita descrença. As pessoas não acreditavam que um atleta da América do Sul pudesse baixar da marca dos 10s”, contou ao Terra.

O cronômetro havia marcado o tempo histórico para o brasileiro, que depois foi aumentado para 9s99 e posteriormente para 10s00 cravados após revisão. “Se pararmos para pensar, no mundo inteiro, poucos foram os países que conseguiram melhorar esse resultado dos 100m, foram poucos. Não é algo que seja uma barreira só para os atletas da América do Sul, é uma barreira para o mundo inteiro”, afirmou o medalhista olímpico.

Robson Caetano (125), entre Linford Christie (GBR) nº 413 e Carl Lewis (USA) nº 1102, durante prova dos 100 metros realizada no estádio Olímpico, durante os Jogos Olímpicos de Seul
Robson Caetano (125), entre Linford Christie (GBR) nº 413 e Carl Lewis (USA) nº 1102, durante prova dos 100 metros realizada no estádio Olímpico, durante os Jogos Olímpicos de Seul
Foto: Sérgio Berezovsky / Estadão

Ele não poderia estar mais correto. Robson Caetano disputou a final dos 100m nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, quando correu para 10s11 e ficou em quinto lugar. Desde então, nenhum brasileiro chegou a uma final olímpica nem conseguiu se manter em equilíbrio com a elite do esporte, para a qual a marca dos 10s passou a ser formalidade. A partir de 1984, com Carl Lewis, todos os medalhistas de ouro em Olimpíada superaram a barreira, e o último medalhista com um tempo superior a ela foi Obadele Thompson, de Barbados, bronze em Sidney 2000 com 10s04.

Segundo os registros da IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo), 134 atletas conseguiram romper a barreira dos 10 segundos. A maioria deles são dos Estados Unidos, com 55 corredores. O único outro país com mais de dez é a Jamaica, que já tem 20. Por continentes, os números são: 88 para a América do Norte e Central, 19 para a África, 16 para a Europa, cinco para a Ásia e um para a Oceania.

Desde o recorde de Robson, que era especialista nos 200m e foi bronze na prova em Seul, poucos brasileiros conseguiram se aproximar da marca em uma prova que exige muitos detalhes. Além de Paulo André e André Domingos, apenas Fernando Botasso, em 1990, e Jorge Henrique Vides, em julho de 2018, conseguiram baixar de 10s1.

Qualquer detalhe faz diferença

Em 2016, pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Vitor Hugo dos Santos era o velocista mais rápido do país . Ele havia corrido para 10s11 na ocasião e, aos 20 anos, podia tentar surpreender na prova (ele correu 10s36 no Rio). Segundo Vitor Hugo, são os detalhes que fazem a diferença em uma prova tão rápida.

Vitor Hugo dos Santos durante a participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro
Vitor Hugo dos Santos durante a participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro
Foto: Thiago Bernardes FramePhoto / Gazeta Press

“Quando eu atingi os 10s11, eu errei algumas fases da corrida. Eu consigo melhorar essa marca porque a prova dos 100 tem muitos detalhes”, disse ao Terra. Ele diz que no momento precisa melhorar a saída do bloco e a aceleração, ou seja, o início da prova, para conseguir baixar seu tempo. “No período em que eu passei machucado, aproveitei para treinar essa parte e agora estou acertando mais”. A lesão a que ele se refere custou a participação no Mundial de 2017, mas, recuperado, ele já correu para 10s13 em 2018.

“A evolução do meu tempo está ótima, então eu creio que até os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, estarei correndo abaixo dos 10 segundos”, afirma Vitor Hugo, confiante. Para Robson Caetano, os jovens velocistas são muito pressionados a superar o recorde dele e acabam não focando em superar as próprias marcas.

“Acredito muito que em algum momento um deles possa bater, não é algo tão difícil, algo impossível. Existe uma cobrança que eu acho muito injusta em cima desses meninos. Eles tem que pensar no recorde sul-americano, no recorde do robson caetano, e não é bem assim”, diz o atleta.

O treinador Victor Fernandes, que trabalha diretamente com Vitor Hugo e também na Confederação Brasileira de Atletismo, tem uma opinião parecida. “Robson era um grande atleta e competiu com os maiores do mundo. Estamos no caminho para a quebra da barreira, nossos atletas estão em competições internacionais e adquirindo experiência para isso”, acredita.

Porém, quem está mais próximo de quebrar o recorde sul-americano não é um brasileiro. Nos Jogos Sul-Americanos de 2018, em junho, o panamenho Alonso Edward correu para 10s01. Edward quebrou uma outra marca de Robson, nos 200m, ao completar a prova em 19s81.

Curiosidade

Apesar do recorde dos 100m já ter 30 anos, ele não é o mais antigo do continente. O brasileiro Joaquim Cruz detém até hoje o recorde dos 800m e dos 1000m, ambos estabelecidos em 1984. No mesmo ano, ele foi campeão olímpico da prova, em Los Angeles.

Fonte: Redação Terra
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