Volume de serviços cresce 0,3% em outubro e registra nona alta seguida
Com o resultado no mês, setor funcionava em patamar 20,1% superior ao de fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária no País
RIO - O volume de serviços prestados no País cresceu 0,3% em outubro ante setembro, o nono mês de avanços consecutivos, inaugurando assim novo patamar recorde da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Os dados de?outubro?mostram que o setor de serviços continua firme e tem mantido um bom ritmo de crescimento, contribuindo para sustentar parte da expansão da economia em 2025.?Nossa projeção é de que os serviços?terminem?o ano com?crescimento um pouco abaixo de?3%, apoiados?pelas medidas promovidas pelo governo para impulsionar a atividade, como o aumento de gastos?e o estímulo à concessão de crédito", previu a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário.
Assim como nos últimos meses, o setor de serviços continuará puxando a economia doméstica adiante, corroborou o economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos.
"O aumento da renda real do trabalho e medidas de estímulo recentemente anunciadas devem manter o setor terciário em trajetória ascendente", estimou Margato, que projeta expansão de 2,7% para os serviços em 2025.
O setor acumulou um ganho de 3,7% nos últimos nove meses seguidos de altas: fevereiro (0,8%), março (0,4%), abril (0,3%), maio (0,2%), junho (0,4%), julho (0,3%), agosto (0,2%), setembro (0,7%) e outubro (0,3%).
"Nunca houve uma sequência tão longa de taxas positivas", frisou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.
Entretanto, os avanços sucessivos estão calcados em apenas dois segmentos, transportes e serviços de informação e comunicação, ambos também operando em picos históricos em outubro.
"Vejo o setor de serviços com crescimento concentrado em transporte e serviços de informação e comunicação. Eu não vejo grande disseminação, não vejo esse espalhamento (para os demais segmentos)", disse Lobo. "As variações dos demais ficam próximas da estabilidade."
Segundo o pesquisador do IBGE, apesar do crescimento disseminado em todas as cinco atividades de serviços na passagem de setembro para outubro, já há arrefecimento e perda de fôlego em algumas delas na perspectiva de mais longo prazo.
"Alguns deles perdendo fôlego pode ser por algum tipo de dificuldade por conta da taxa de juros mais elevada, mas não dá para cravar. O setor de serviços tem grande heterogeneidade, cada um pode ter uma explicação", pontuou Lobo. "Serviços profissionais e complementares é a atividade que está mostrando maior perda de ritmo recente", exemplificou.
Em outubro ante setembro, o destaque foi o avanço de 1,0% na atividade de transportes, que acumulou um ganho de 2,4% em três meses consecutivos de expansão. Segundo o IBGE, o transporte aéreo e o transporte rodoviário de cargas foram novamente os protagonistas no mês. O transporte aéreo tem exibido bom desempenho ao longo do ano graças a um maior número de passageiros transportados, e o transporte rodoviário de cargas tem sido impulsionado pelo escoamento da safra agrícola recorde e de entregas do comércio eletrônico, explicou Lobo.
"O transporte aéreo de passageiros tem algum tipo de relação com ganho de renda, e tem essa correlação importante do transporte de cargas com o setor agrícola", resumiu.
Os demais avanços em outubro ante setembro foram de informação e comunicação (0,3%), outros serviços (0,5%), serviços profissionais e administrativos (0,1%) e serviços prestados às famílias (0,1%).
Na comparação com outubro de 2024, houve avanço de 2,2% nos serviços em outubro de 2025, a 19ª taxa positiva consecutiva. A taxa acumulada no ano, que tem como base de comparação o mesmo período do ano anterior, foi positiva em 2,8%. No acumulado em 12 meses, houve alta de 2,8%, ante expansão de 3,1% até setembro. /Com Anna Scabello