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Falta de água afeta de boteco a restaurante chique em SP

Pequenos empresários do ramo de alimentação estão perdendo clientes na capital paulista por causa da crise hídrica

20 out 2014
08h32
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O que um boteco na região do Tucuruvi tem em comum com um restaurante chique no Alto de Pinheiros? A reposta é simples: os dois estão sentindo na pele os efeitos da crise hídrica que afeta a cidade de São Paulo. Com os níveis dos reservatórios que abastecem a capital paulista cada vez mais baixos, donos de bares e restaurantes estão perdendo clientes por causa da escassez de água na capital paulista.

Boteco no Tucuruvi teve de servir seus clientes com copos e pratos descartáveis por não ter água suficiente para lavar a louça
Boteco no Tucuruvi teve de servir seus clientes com copos e pratos descartáveis por não ter água suficiente para lavar a louça
Foto: Malachy666 / Shutterstock

André Mifano, sócio e chefe do sofisticado restaurante Vito, localizado no Alto de Pinheiros, conta que está enfrentando problemas com água desde o início do ano, mas nos últimos meses a situação piorou. “Desde julho, já tivemos de fechar o restaurante por seis vezes. Em outras quatro, precisamos contratar caminhões-pipa a um custo de R$ 400 cada”, reclama.

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O problema se agrava ainda mais, segundo Mifano, pela imprevisibilidade dos cortes no fornecimento. Para tentar se precaver, ele estabeleceu que todos os dias, antes de abrir e depois de fechar o restaurante, alguém precisa subir no telhado e verificar se está entrando água na caixa.

“Parecia que eles cortavam à noite e religavam antes das 9h da manhã. Porém, de uns tempos para cá, os cortes passaram a ser em horários muito aleatórios, fica impossível prever. Seria melhor ter um racionamento com os dias e horários certos em que vai faltar água, assim poderíamos nos preparar”, argumenta o chefe.

Já na região do Tucuruvi, Sueli Pontes, proprietária do Bar de Vidro, teve de recorrer ao plástico para superar a falta de água no dia 10 de outubro, uma sexta-feira. “A água acabou por volta das 21h, e como o movimento no fim de semana é muito grande, não tínhamos mais como lavar a louça. Então começamos a servir as coisas com copos, pratos e talheres descartáveis”, revela.

Até o momento, esta foi a única vez em que o estabelecimento enfrentou um problema do tipo. Porém, ela já está se precavendo para o caso de novas ocorrências e aumentado o estoque de utensílios descartáveis. “O problema é que, com o tempo, o pessoal começa a reclamar, pois ninguém gosta ser servido em algo de plástico. Além disso, já temos descargas e torneiras com redução de consumo, mas agora estamos pensando em colocar mais uma caixa d’água”, completa Sueli.

Contando com a sorte
Alguns estabelecimentos ainda não sofreram maiores problemas porque, apesar de terem o fornecimento de água cortado, conseguiram suportar a demanda dos clientes com seus reservatórios. É o caso do pub O’Malley’s, situado na região da Paulista, que registrou falta de água em duas segundas-feiras, dia de menor movimento.

“Até enchemos alguns baldes com água da caixa, mas não foi preciso usá-los. Porém, se o corte ocorrer em uma sexta, quando recebemos três vezes mais clientes, vamos ter de recorrer a um caminhão-pipa. Isso se houver algum disponível, porque todos vão querer”, prevê a gerente operacional Vanessa Arcanjo.

A situação não é muito diferente em Perdizes, onde está localizado o restaurante Blú Bistrô. Segundo a proprietária Ana Beatriz Dias, faz cerca de três meses que o local vêm sofrendo com cortes de água todos os dias depois das 20h. “Até o momento, nosso reservatório deu conta do problema. Porém, só temos reserva para um dia. Se acontecer de o fornecimento não ser retomado, ficaremos sem água”, diz.

Para minimizar o problema, o restaurante está adotando algumas medidas de economia, que já resultaram em uma redução de 50% na conta de água. “Mudamos o sistema de limpeza, passando a usar mais panos úmidos, e paramos de lavar a frente e o chão do restaurante todos os dias. Também chegamos a fazer um orçamento para aumentar nosso reservatório, mas como o restaurante é pequeno, não teríamos espaço”, finaliza.

Fonte: PrimaPagina
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