Como transformação de garagem em estúdio fez Seu Jorge ganhar notoriedade como CEO Jorge
Cantor conta como fundou a 'Black Service - O melhor serviço da praça', uma ideia que surgiu na pandemia e, hoje, tem 50 profissionais
Seu Jorge consolidou sua atuação como CEO ao transformar seu estúdio pessoal na produtora Black Service, expandindo suas operações no mercado de entretenimento, com projetos variados e impacto na cena cultural brasileira.
Seu Jorge não descansou em 2025. Fez turnês pela Europa, shows pelo Brasil com o álbum Baile à la baiana, está no streaming com o filme A Melhor Mãe do Mundo, fora as várias homenagens que recebeu mundo afora por sua trajetória como artista. Não bastasse tudo isso, foi também este ano que mais colheu os frutos da persona CEO Jorge, apelido dado a ele por seus colegas de trabalho na produtora Black Service - O melhor serviço da praça.
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Assim como performa com excelência suas versões de cantor, compositor e ator, ele não faria diferente com a versão empresário. “Eu estava no papel de CEO ali, fazendo uma reunião extremamente complexa, porque a gente está com um prazo para planejamento de 2026, e tem que fazer isso antes que todo mundo entre de férias”, diz, pedindo desculpas por ter se atrasado um pouco para a entrevista com o Terra.
“Agora mesmo, me trouxeram uma apresentação de um planejamento. Eu chequei algumas coisas. Fiz algumas observações. Mas é maravilhoso, eu estou aprendendo muito com essa turma”, afirma Seu Jorge, que falava com a reportagem direto de seu estúdio na sua casa em Barueri, na Grande São Paulo.
Foi ali que nasceu a Black Service – e onde, até hoje, acontecem as reuniões de alinhamento da equipe e algumas gravações esporádicas. A garagem da residência do cantor foi transformada para o trabalho com a música em 2021, após o primeiro ano de pandemia de covid-19.
“Ao longo da vida juntei um monte de instrumentos, equipamentos, sobretudo na pandemia, em 2020. Foi um ano complexo demais para todos nós no mundo. E aí foi um ano que eu adquiri alguns equipamentos como mesa de som e tudo para produzir em casa”, conta.
Seu Jorge pediu a um amigo um projeto acústico para o local, que foi além e desenhou um estúdio completo para o artista. “Ele me trouxe a ideia de que, caso a pandemia ficasse, daqui eu poderia produzir tudo que eu quisesse, porque tem a capacidade de gravar, mixar, masterizar, filmar, editar, finalizar, passar ao vivo. Tem até suporte de defesa também, a gente tem backup, gerador”, afirma.
A pandemia, felizmente, não permaneceu. Mas o estúdio pessoal de Seu Jorge plantou a sementinha para que ele se lançasse no mundo da produção. Ele percebeu que, enquanto multiartista, já dialogava com a área da comunicação em si.
“Uma vez nesse espaço, ele me traz a possibilidade de eu estar produzindo criativos com produtores associados, amigos que colecionei ao longo desses anos, gente muito interessante e inteligente que aguça e aprimora cada vez mais a minha inteligência criativa”, conta.
Apesar de grande, o estúdio na garagem de Seu Jorge não dá conta do fluxo atual de produções da Black Service. Ainda assim, ele abriga gravações mais intimistas, principalmente, com artistas próximos e que se sentem mais à vontade com ele.
“É um lugar meio reservado. Até porque eu moro em condomínio. Mas a Luedji Luna, ela me convidou para gravar, então ela vem aqui e grava. O Russo Passapusso ensaiou para o Festival Novabrasil aqui também. É um espaço onde eu posso receber essas pessoas”, explica.
O melhor serviço da praça
Antes mesmo de se tornar nome e slogan, Black Service, o melhor serviço da praça já era usado por Seu Jorge como um bordão. O cantor usava a frase para abrir vídeos sobre rotina, coisas que andava aprendendo ou lugares que visitava por aí. Ele confessa que o bordão nasceu não só de uma brincadeira, mas do sucesso que alguns vídeos foram fazendo e se apegou à expressão.
Fato é que a Black Service mostrou serviço em pouquíssimo tempo de atuação – quase sempre com o nome de Seu Jorge encabeçando produções. Ele aparece como co-curador do Festival Novabrasil, que teve a produção completa assinada pela empresa, foi estrela de campanhas publicitárias da Hering e Mastercard, além de outros.
“A Black Service nasce dessa primeira necessidade de aportar e abrigar toda essa infinidade de expressões que me solicitam dentro do cinema, na música, até mesmo recentemente mais na publicidade e tudo, e a possibilidade de pensar junto tudo isso, com esses produtores, com essas companhias”, explica Seu Jorge.
O desejo dele é que à medida que a produtora cresça, surja maior independência de sua imagem. Aos poucos, ele acredita que isso já vem acontecendo.
“Recentemente, eu fui convidado a ajudar a produzir um artista para uma determinada publicidade. Mas eu não estou participando dessa publicidade, só vai ser feito aqui porque esse artista se sente confortável em fazer aqui comigo e ter um pouco da minha ideia. E eu fico muito feliz, porque é exatamente esse lugar que eu quero ter na Black Service. Os caras estão me botando um apelido aqui porque tem o Seu Jorge, que é o talento, e o CEO Jorge, e eu vou administrar tudo”, diz, dando risada.
Atualmente, a produtora conta com mais de 50 profissionais vinculados a ela, além dos colaboradores indiretos que atuam nos diferentes projetos. A empresa prefere não compartilhar dados de faturamento.
Para 2026, Seu Jorge planeja que a Black Service atue também na formação de profissionais para o mercado do entretenimento. Este ano, ele considera que o setor esteve ativo ao ponto de gerar impacto relevante na taxa de desemprego do Brasil, que atingiu mínimas históricas sequenciais, citando os sucessos do cinema nacional e os festivais musicais lotados pelo País.
“A gente foi surpreendido pelo boom do entretenimento, por essa fome, essa necessidade das pessoas de estarem mais conectadas à cultura. Então, a gente vem muito também para contribuir para essa cena, para esse mercado tão pungente e tão vigoroso”, diz. "Eu fico com o coração aquecido com esse Brasil da cultura", complementa.