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Vendas da indústria de máquinas sobem 7,3% em 2025, mesmo sob tarifas de Trump, aponta Abimaq

As vendas internas subiram 8,4%, enquanto as exportações, em dólares, avançaram 5%, com embarques, sobretudo, aos vizinhos da América do Sul compensando o impacto do tarifaço

28 jan 2026 - 14h31
(atualizado às 15h35)
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As vendas da indústria de máquinas tiveram, em 2025, crescimento de 7,3%, como resultado da reação dos investimentos em bens de capital no País. No total, a receita líquida do setor chegou a R$ 299 bilhões, conforme mostra o balanço final de 2025 divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

As vendas internas subiram 8,4%, somando R$ 221,7 bilhões. Já as exportações, em dólares, avançaram 5%, para US$ 13,8 bilhões, com embarques, sobretudo, aos vizinhos da América do Sul compensando o impacto do tarifaço nos Estados Unidos.

O uso de capacidade instalada nas fábricas de máquinas e equipamentos em dezembro chegou a 78,4%, acima dos 73,2% de dezembro de 2024
O uso de capacidade instalada nas fábricas de máquinas e equipamentos em dezembro chegou a 78,4%, acima dos 73,2% de dezembro de 2024
Foto: Abimaq/Divulgação / Estadão

No ano passado, os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil tiveram alta de 7,9%, para R$ 411 bilhões, incluindo aqui as importações, cujo aumento, em dólares, foi de 8,3%, para US$ 32,2 bilhões.

A Abimaq menciona que as indústrias de bens de consumo e extrativas puxaram os investimentos, com as obras de infraestrutura. Os produtores agrícolas, cujas compras de máquinas nacionais subiram 6,7%, também ajudaram. A entidade chama a atenção, porém para a queda de 6% dos investimentos em máquinas no último trimestre.

As exportações, por sua vez, reagiram após o recuo de 7,8% registrado em 2024, puxadas pelos embarques para Argentina (aumento de 38,4%), Chile (17%) e Peru (22,5%). Também houve crescimento expressivo, de 74,3%, nas exportações para Singapura.

Como foram as vendas para os EUA?

Por outro lado, houve queda de 9,1% nas vendas aos Estados Unidos, refletindo a elevação das alíquotas pagas pelas máquinas brasileiras no mercado americano. Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações totais do setor encolheu de 27% para 23% no ano passado.

O balanço da Abimaq mostra também que as máquinas chinesas seguem avançando, já representando quase um terço das importações totais (32,5%) após o crescimento de 12,1% em 2025.

Segundo a entidade, as importações de máquinas e equipamentos são 46% do consumo nacional. Essa participação dobrou em uma década, em razão, principalmente, das compras de máquinas chinesas.

Os números de dezembro

Considerando apenas os resultados de dezembro, as vendas da indústria de máquinas e equipamentos, entre mercado interno e exportações, encolheram 3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na margem — ou seja, ante novembro —, a queda foi de 9,9%, com a receita líquida do setor somando R$ 21,2 bilhões.

O resultado decorre da redução, no comparativo interanual, de 10,5% nas vendas internas, para R$ 13,4 bilhões. Já as exportações, medidas em reais, tiveram aumento de 13,2%, somando R$ 7,8 bilhões.

Apesar do resultado negativo no mês passado, a Abimaq informa que o uso de capacidade instalada nas fábricas de máquinas e equipamentos chegou a 78,4%, acima dos 73,2% de dezembro de 2024. A carteira de pedidos recuperou em dezembro parte da queda acumulada desde junho.

A Abimaq também reportou a abertura de 15,5 mil vagas de trabalho durante 2025. Agora, as fábricas de bens de capital empregam 414,3 mil pessoas.

Qual é a expectativa para 2026?

A Abimaq prevê crescimento de 4% das vendas neste ano, entre mercado interno e embarques ao exterior. Conforme Cristina Zanella, diretora de economia da Abimaq, a tendência é de que essa desaceleração continue, tendo em vista a elevada taxa de juros, a perda de tração da atividade econômica e as dificuldades para exportar.

Ela observou que a safra de grãos deve crescer menos em 2026, impulsionando em menor intensidade a demanda por máquinas agrícolas, ao passo que o endividamento das famílias traz preocupação sobre o desempenho da indústria de bens de consumo.

Nos mercados internacionais, acrescentou Zanella, o cenário segue conturbado, com o tarifaço dos Estados Unidos comprometendo os embarques a um dos principais destinos das máquinas brasileiras no exterior.

O prognóstico da Abimaq é de que as exportações vão andar de lado em 2026, também levando em conta um dólar menos propício a exportadores, dada apreciação do real. "Na melhor das hipóteses, teremos um nível de exportação parecido com o de 2025", comentou a diretora de economia da Abimaq.

No mercado doméstico, as importações, que representam 46% do consumo nacional de máquinas, com avanço da concorrência chinesa, devem continuar sendo uma ameaça.

Apesar disso, a Abimaq prevê crescimento de 5,6% das vendas no mercado interno, num prognóstico que se sustenta também nos pedidos vindos do setor de infraestrutura, que apresenta perspectiva de aumento das obras públicas em ano de eleição.

Estadão
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