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Variações entre maior e o menor preço aumentam para 60% dos itens básicos, aponta pesquisa

Diferença encontrada no varejo cresceu em nove itens básicos comparado a setembro de 2021, quando a CNC fez esse tipo de levantamento pela primeira vez

25 mai 2022 10h43
| atualizado às 15h42
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Está cada vez mais difícil para o brasileiro driblar a inflação nas compras de itens básicos, como alimentos e produtos de higiene e limpeza, se ele não fizer uma ampla pesquisa de preço. Entre setembro do ano passado, o primeiro mês no qual a inflação oficial acumulada em 12 meses atingiu a marca de dois dígitos, e hoje, a diferença entre o maior e o menor preço de um mesmo produto vendido em estabelecimentos comerciais diferentes aumentou em 60% dos itens básicos.

De uma cesta com 15 produtos, a variação neste mês entre o maior e o menor preço encontrado no varejo cresceu em nove itens básicos comparado a setembro de 2021, quando esse tipo de pesquisa foi feita pela primeira vez pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a pedido do Estadão. Embora ainda positivas, as variações entre o maior e o menor preço no período diminuíram em seis produtos.

O levantamento atual aponta diferenças entre o maior e o maior preço de 276,3% no macarrão, de 225,3% no café, 164,5% no açúcar, 122,4% no óleo de soja, 111,7% no detergente, 99,8% no arroz, 98,5% na farinha de trigo, 71,8% na margarina e 53,3% no pão. Em setembro do ano passado, as variações encontradas tinham sido menores para esses mesmos produtos.

Nos dois momentos, tanto em setembro de 2021 como neste mês, os preços foram pesquisados por meio da ferramenta do Google Shopping Brasil. Entre os critérios usados no levantamento, de âmbito nacional e que incluiu grandes varejistas, estão o fato de o produto ser representativo do consumo básico do brasileiro e estar disponível em pelo menos dez lojas físicas ou virtuais.

Formação de preços

Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC e responsável pela pesquisa, hoje o quadro geral de preços é pior, mesmo considerando que em setembro de 2021 a diferença entre o maior e menor preço chegou a 578% - caso do creme dental - e a maior marca da pesquisa atual é de 276,3%, encontrada no macarrão. "O cenário de formação de preços ficou mais confuso mesmo", afirma.

O economista aponta vários fatores que têm dificultado a convergência de preços e provocado essas grandes variações de um mesmo produto. Um deles é o espalhamento da inflação, impulsionado pelos fortes reajustes em preços-chaves da economia, como combustíveis e energia elétrica, isto é, insumos que entram na formação de outros preços. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, o último dado disponível, 78,2% dos itens registraram variações positivas.

Além disso, em maio, pelo oitavo mês consecutivo, a inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA ficou em dois dígitos. Diante desse cenário, Bentes diz que fica cada vez mais difícil fazer previsões sobre a inflação e fixar preço nas prateleiras dos supermercados. Pesquisa do Boletim Focus do Banco Central mostra que as expectativas do mercado para a inflação 12 meses à frente variam muito, entre 8%, a máxima, e 5%, a mínima.

"Os preços tendem a ficar mais divergentes num cenário de expectativas mais desencontradas, como é revelado pelo Focus, e a chance do varejo errar no preço é maior", afirma. Ele acrescenta também que, desde a última pesquisa, em setembro de 2021, itens da cesta básica, como pão, farinha de trigo, macarrão e óleo de soja, receberam um choque de preços importante por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Velho hábito

Para diminuir o estrago no bolso, além de pesquisar mais preços, o consumidor voltou a usar uma velha estratégia, comum na época da hiperinflação: concentrar as compras no início do mês.

O economista concluiu que houve a retomada desse hábito ao observar, por meio das ferramentas de mobilidade, que o aumento normal de 4% no fluxo de consumidores supermercado na primeira do mês em relação a última do mês anterior ultrapassou essa marca nos últimos meses, quando o IPCA do mês ficou acima de 0,6%. "Ao receber o salário, o brasileiro está correndo para as compras, a fim de garantir o poder de compra e o consumo do essencial", afirma.

Estadão
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