UE deve reformar, consolidar e usar dívida conjunta para lidar com as necessidades de gastos, diz FMI
Os países da União Europeia enfrentarão grandes despesas com defesa, energia e aposentadorias nos próximos 15 anos, disse o Fundo Monetário Internacional aos ministros das Finanças da UE neste sábado, sugerindo uma combinação de reformas, consolidação e empréstimos conjuntos como forma de administrar isso.
"Se não for controlada, a dívida pública estará em um caminho insustentável. Se a política não for alterada, a dívida de um país europeu médio atingirá 130% do PIB até 2040 - aproximadamente o dobro do que é hoje", disse o FMI em um documento usado como base para as discussões dos ministros em uma reunião informal em Nicósia.
O documento afirma que, para evitar esse cenário, os países da UE devem melhorar os incentivos para que os cidadãos se desloquem pelo bloco de 27 nações para encontrar trabalho e para que as empresas os contratem.
A UE também deve integrar seus mercados de energia, facilitar o fluxo de poupanças dos cidadãos em todo o bloco para investimentos lucrativos e unificar as leis que, atualmente, muitas vezes diferem de país para país.
Reformas previdenciárias e uma idade de aposentadoria mais alta também ajudariam, assim como garantias governamentais para investimentos mais arriscados em projetos de baixo carbono e de resiliência climática, o que ajudaria a atrair capital privado para eles.
Por fim, os governos devem concordar que inovação, energia e defesa são bens públicos europeus e devem ser pagos por meio de empréstimos conjuntos.
A dívida conjunta é uma questão altamente controversa na UE, onde alguns países, como Espanha, Itália ou França, são a favor, mas outros, como a Alemanha e vários países do norte da Europa, se opõem fortemente à ideia.
"Essa é uma das áreas em que há diferenças de opinião, mas certamente é uma das áreas que discutiremos nos próximos meses", disse à Reuters o presidente dos ministros das Finanças da zona do euro, Kyriakos Pierrakakis.
O FMI disse que, mesmo com as reformas, a maioria dos países da UE ainda precisaria de consolidação fiscal para colocar a dívida em uma trajetória descendente, embora quanto mais ambiciosas as reformas, menos consolidação seria necessária.
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