UE alerta para choque prolongado de energia e cortes forçados se guerra com Irã continuar
A União Europeia alertou os países-membros nesta quarta-feira que, se o conflito com o Irã continuar, os mercados de energia enfrentarão um choque prolongado no fornecimento que forçará cortes no consumo de combustível, disseram diplomatas da UE à Reuters.
As ofertas globais de energia estão sofrendo com o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pela guerra, geralmente uma rota de trânsito para 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
A Europa ainda não enfrentou escassez de oferta, mas está lutando contra o aumento dos preços do petróleo e do gás, e os aeroportos alertaram que a primeira falta de combustível de aviação pode ocorrer dentro de semanas.
Em uma reunião a portas fechadas com os embaixadores dos países da UE nesta quarta-feira, a Comissão Europeia disse que estava considerando dois cenários principais, segundo diplomatas com conhecimento das negociações.
Um porta-voz da Comissão se recusou a comentar.
Em um cenário em que o cessar-fogo acordado entre os EUA e o Irã se mantém, e o bloqueio dos EUA ao estreito é suspenso, os fluxos de petróleo e gás se recuperariam em alguns meses e os preços deveriam cair, disse a Comissão.
Os preços do diesel e do combustível de aviação diminuiriam mais tarde, no final do verão, enquanto o mercado global de GNL permaneceria restrito até 2030 devido aos danos à infraestrutura no Catar, acrescentou.
Porém, se as tensões continuarem, os mercados de energia enfrentariam um choque prolongado no fornecimento e picos extremos de preços, com efeitos em cascata nas cadeias de oferta dos setores. A interrupção contínua do fornecimento de petróleo forçaria cada vez mais a "destruição da demanda", ou seja, a redução do uso de combustível, disse a Comissão.
Nesse cenário, a Europa poderia ter dificuldades para abastecer seu estoque de gás antes do inverno. A escassez localizada de combustível de aviação também é possível, disse a Comissão, de acordo com os diplomatas.
A dependência da Europa em relação às importações de petróleo e gás a deixou exposta à espiral de preços globais, embora seus principais fornecedores sejam os EUA, a Noruega e outros produtores fora do Oriente Médio.
A Comissão está elaborando propostas para tentar compensar as consequências da falta de energia. Um rascunho, relatado anteriormente pela Reuters, mostra planos para reduzir os impostos sobre a eletricidade e tentar ampliar as tecnologias limpas mais rapidamente, para reduzir a dependência da Europa dos combustíveis fósseis e proteger o bloco de futuros choques de petróleo e gás.
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