Navios cargueiros são atacados no Estreito de Ormuz e EUA atacam lança-minas do Irã; o que aconteceu na guerra até o 12º dia
Empresas de transporte marítimo estão com receio de navegar pelo Estreito de Ormuz; aeroporto de Dubai segue sendo atacado; Trump disse que Irã será bem-vindo na Copa.
Três embarcações foram alvo de ataques no Estreito de Ormuz nas últimas horas, segundo relatos de uma autoridade britânica de monitoramento marítimo nesta quarta-feira (11/3).
A UK Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que um navio cargueiro estava sendo evacuado da região após ser atingido por um "projétil desconhecido". A UKMTO afirma que o incidente, ocorrido a 20 quilômetros ao norte de Omã e relatado às 1h35 no horário de Brasília, resultou em um incêndio a bordo da embarcação.
A autoridade britânica recomenda que os navios naveguem com cautela na região enquanto as autoridades investigam o ocorrido.
Antes disso, em outra parte do Estreito de Ormuz, um navio porta-contêineres também havia sido atingido por um "projétil desconhecido". A embarcação foi atacada a 46 km do litoral dos Emirados Árabes.
Outro navio cargueiro havia sido atacado às 11h05 de terça-feira no horário de Brasília, a 93 km a noroeste de Dubai. Segundo a UKMTO, a tripulação está "sã e salva", e não houve impactos ambientais.
Desde o início da guerra, foram registrados mais de 10 ataques suspeitos de serem realizados pelo Irã contra embarcações que operavam no Golfo Pérsico.
Os EUA temem que os iranianos possam começar a minar o Estreito de Ormuz — como já fizeram antes. Em resposta, os americanos disseram ter atacado 16 navios lança-minas próximos ao estreito.
O Comando Central dos EUA (Centcom) divulgou um vídeo que parece mostrar os navios sendo atingidos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito, em postagem em rede social, que "estamos usando a mesma tecnologia e capacidade de mísseis empregadas contra traficantes de drogas para eliminar permanentemente qualquer barco ou navio que tente minar o Estreito de Ormuz. Eles serão eliminados com rapidez e violência. CUIDADO!"
"Se o Irã colocou minas no Estreito de Ormuz, e não temos relatos de que isso tenha acontecido, queremos que elas sejam removidas IMEDIATAMENTE!"
O presidente americano disse que "as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude nunca antes vista".
Os preços do petróleo em todo o mundo dispararam nos últimos dias devido a preocupações com a passagem de petróleo por essa importante rota marítima.
Antes do conflito, cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz, que está efetivamente fechado devido às ameaças do Irã de atacar navios. Segundo informações obtidas pela rede americana CBS, o Irã está utilizando pequenas embarcações que transportam de duas a três minas cada.
Nesta quarta-feira (11/3), os mercados internacionais operam em estabilidade.
Os principais índices do mercado de ações das maiores empresas listadas na Ásia subiram, com o Nikkei 225 do Japão fechando em alta de 1,43% e o Kospi da Coreia do Sul encerrando o dia com alta de 1,4%. O Hang Seng de Hong Kong fechou estável em relação ao dia anterior.
Escoltas navais
Os governos dos EUA e da França sugeriram que escoltas navais poderiam ser uma forma de reabrir as vias navegáveis, mas as empresas de transporte marítimo vêm manifestando preocupação.
"A principal preocupação é a segurança de nossas tripulações, a segurança de nossos ativos", disse em entrevista à BBC Vincent Clerc, presidente da gigante dinamarquesa Maersk, a segunda maior empresa de transporte marítimo do mundo.
Ele afirmou que, enquanto persistir a ameaça significativa de ataques com drones, sem garantia de um cessar-fogo entre os dois lados, "é muito difícil para nós colocar nossos colegas e nossos navios em perigo".
Clerc disse que o aumento dos custos de transporte marítimo, impulsionado pelo conflito no Irã, será repassado aos consumidores.
"Temos mecanismos contratuais tradicionais que repassam essa flutuação do preço do combustível, seja para cima ou para baixo, aos clientes."
"Portanto, isso significa que, em última análise, neste caso, esses aumentos serão repassados aos nossos clientes e, consequentemente, aos consumidores."
Ele fez um apelo para que os EUA, Israel e Irã cheguem a "algum tipo de acordo" para restabelecer as rotas comerciais globais no Oriente Médio.
Na terça-feira, o preço do barril de petróleo Brent caiu drasticamente após o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, publicar no Facebook que os EUA haviam escoltado com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz.
O petróleo caiu de uma alta de US$ 94 por barril no início da terça-feira para US$ 82 por barril às 14h30 (horário de Brasília).
A publicação dizia: "O presidente Trump está mantendo a estabilidade da energia global durante as operações militares contra o Irã. A Marinha dos EUA escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz para garantir que o fornecimento de petróleo continue chegando aos mercados globais."
Mas pouco depois, a publicação de Wright no Facebook desapareceu.
Em seguida, na Casa Branca, a porta-voz Karoline Leavitt disse que a Marinha não escoltou nenhum petroleiro pelo estreito e que ainda não conversou com Wright sobre a publicação. Ela disse que outras perguntas da imprensa devem ser feitas ao Departamento de Energia.
Leavitt disse que Trump está empenhado em permitir o livre fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
"É positivo eliminar terroristas que atacam civis indiscriminadamente e tentam manter a economia global como refém", diz Leavitt sobre a operação.
Ela disse que "o recente aumento nos preços do petróleo e do gás é temporário, e esta operação resultará em preços mais baixos do gás a longo prazo".
Segundo a porta-voz, as Forças Armadas dos EUA estão elaborando opções adicionais após a ordem de Trump para manter o Estreito de Ormuz aberto. Ela não revelou quais são essas opções adicionais, mas "saibam que o presidente não tem medo de usá-las".
Na segunda-feira, os preços do petróleo haviam disparado e bolsas no mundo todo, incluindo no Brasil, caíram. Mas logo após uma fala de Trump, na qual ele sugeriu que o fim da guerra pode estar próximo, os mercados reagiram, com queda nas cotações do petróleo e alta nas bolsas.
Irã 'bem-vindo' na Copa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse nesta quarta-feira que Trump afirmou que o Irã é "bem-vindo" para jogar na próxima Copa do Mundo na América do Norte, apesar da guerra no Oriente Médio.
Em uma publicação no Instagram, o chefe da Fifa diz que se reuniu com o presidente dos EUA para discutir os preparativos para a competição deste ano, para a qual a seleção iraniana já está classificada.
Infantino afirma: "Durante as conversas, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos EUA."
Aeroporto de Dubai atacado
Nesta quarta (11/03), quatro pessoas ficaram feridas após dois drones caírem nas proximidades do Aeroporto Internacional de Dubai, informou o governo de Dubai.
Segundo nota oficial, um indiano, dois ganenses e um bengali sofreram ferimentos leves. Não se sabe como as quatro pessoas sofreram os ferimentos.
O comunicado acrescenta que o tráfego aéreo está operando normalmente.
Esta é a segunda vez em cinco dias que um drone iraniano consegue atingir o principal aeroporto internacional de Dubai.
O Aeroporto Internacional de Dubai é o aeroporto mais movimentado do mundo em termos de tráfego internacional de passageiros.
As companhias aéreas têm se esforçado para reduzir o grande acúmulo de voos após o cancelamento de milhares deles.
No sábado, surgiram imagens de um ataque próximo a um terminal. Ninguém ficou ferido na ocasião.
No Bahrein, a companhia aérea Gulf Air informou em um comunicado que seus voos "permanecem temporariamente suspensos devido ao fechamento do espaço aéreo do Bahrein".
A empresa afirma que os serviços serão retomados assim que a autoridade de aviação civil do Bahrein confirmar "a reabertura segura do espaço aéreo afetado".
A própria autoridade de aviação civil informou, em um comunicado, que transferiu aeronaves do Aeroporto Internacional do Bahrein para outros aeroportos da região, segundo relatos da mídia local.