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Transporte de cargas no Brasil tem alta de 51% ante pior momento da pandemia

20 ago 2020
18h33
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A demanda por transportes rodoviários de cargas no Brasil havia registrado, ao final de julho, uma recuperação de 51% na comparação com os piores momentos da pandemia de coronavírus, indicou pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela NTC&Logística.

Caminhões em terminal no porto de Santos (SP) 
19/05/2015
REUTERS/Paulo Whitaker
Caminhões em terminal no porto de Santos (SP) 19/05/2015 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

O índice registrou uma recuperação gradual de 15 semanas entre o auge da queda --verificado em meados de abril-- e o final do mês passado, quando atingia perda de 22% em relação aos níveis pré-pandemia, segundo a associação de empresas do setor.

A queda brusca registrada quando as medidas de isolamento social atingiram um ápice no país chegou a levar a demanda a uma variação negativa de 45,2% em abril, com os segmentos de shopping centers e indústria automobilística figurando entre os mais impactados.

Mas desde então, com a flexibilização das medidas de quarentena, o setor vê uma retomada gradual, e estima que o impulso das festas de final de ano ajudará a acelerar o movimento de recuperação.

"Esperamos, com a abertura total de shoppings e lojas, restaurantes, enfim, que volte à normalidade em três meses, com o fim do ano, com Natal e Ano Novo", disse à Reuters o presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio.

Em relação à carga fracionada, que contém pequenos volumes e apurava variação negativa de 17,9% ao final de julho, Pelucio acredita que o período que se aproxima pode ajudar a ampliar a retomada, aliada ao crescimento do comércio eletrônico.

Ele destacou as recentes compras de caminhões por empresas do setor em meio à retomada da demanda --neste mês, por exemplo, o Grupo Vamos adquiriu 1.350 caminhões da Volkswagen e a Braspress acertou a compra de 235 veículos da Mercedes-Benz.

Para a carga lotação, que ocupa toda a capacidade dos veículos e costuma ser usada nas áreas industriais e agrícolas, o agronegócio é visto como um importante fator de impulso --especialmente com as expectativas para a safra de soja 2020/21, estimada em um recorde de 130,7 milhões de toneladas em pesquisa da Reuters com analistas.

"O pessoal do agronegócio está preparando a plantação para a próxima safra, que promete ser um recorde... No tempo meio parado na safra, estivemos com 25% negativos na carga lotação, mas isso deve melhorar", disse Pelucio.

De acordo com a pesquisa da NTC&Logística, o agronegócio esteve entre os setores menos impactados desde o início da pandemia, com variação negativa de 23,8% ante o nível normal, próximo a segmentos como a indústria farmacêutica, o setor químico e agroquímico e os supermercados.

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