Transição energética precisa incluir minerais críticos, como níquel e ouro, diz diretor do BNDES
No 'Energy Summit', José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco disse que há demanda do mercado de R$ 85 bilhões para projetos envolvendo esses minerais
O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Luis Gordon, afirmou nesta terça-feira, 24, durante o Energy Summit 2025— evento em parceria com o Estadão —, que os planos de transição energética do país precisam prever o desenvolvimento de minerais críticos, como níquel, ouro e cobre.
Isso significa a necessidade de bancos de desenvolvimento e agências de fomento apoiarem projetos do setor.
"Vivemos um momento diferenciado na economia brasileira por termos uma política pública clara para incentivar a indústria mais verde. Na agenda de transição energética, todos os minerais críticos são fundamentais. E recebemos uma demanda do mercado de R$ 85 bilhões para projetos envolvendo esses minerais".
A cifra é superior ao orçamento de R$ 5 bilhões destinados pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em uma chamada pública lançada em janeiro para fomentar planos de negócios que visem a transformação de minerais estratégicos para as cadeias produtivas inseridas na agenda transição energética e descarbonização.
O objetivo é desenvolver a cadeia de materiais estratégicos sustentáveis no país por meio de linhas de crédito, participação acionária em empresas e recursos não reembolsáveis.
Segundo Gordon, quase R$ 50 bilhões em iniciativas passaram nas avaliações iniciais. "Agora vamos procurar apoiar esses bons projetos ao longo do tempo".
Fontes de financiamento
Conforme o BNDES, entre os anos de 2023 a 2025 foram destinados R$ 20 bilhões para inovação pelo banco. Somando os recursos da Finep, a cifra chega a R$ 46 bilhões, "a maior soma na história de recursos para apoiar a inovação no setor industrial", declarou.
Em sua avaliação, o Brasil já se coloca como referência em tração de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para atrair empresas.
Ainda no evento, João Carneiro, líder da área de Energia e Infraestrutura do IFC - World Bank Group, destacou que o Brasil é o segundo país na carteira de crédito da entidade global, só atrás da Índia.
Entre os negócios apoiados, o setor de energia, principalmente energia elétrica, é um dos destaques. "Estamos fazendo muitos negócios, principalmente com distribuidores de energia, mas espero que a gente volte a ter uma demanda maior aqui para [negócios] de geração."