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Tesouro faz nova recompra de títulos públicos e intervenção alcança R$47 bi na semana

18 mar 2026 - 12h09
(atualizado às 17h37)
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O Tesouro Nacional fez na manhã desta quarta-feira mais uma intervenção no mercado de títulos públicos, totalizando uma recompra líquida de R$47 bilhões em cinco leilões extraordinários promovidos na semana com o objetivo de eliminar distorções no mercado em meio à forte pressão trazida pela guerra no Oriente Médio.

Na operação desta ⁠quarta, o governo recomprou R$5,4 bilhões dos títulos prefixados LTN e NTN-F.

Os leilões extraordinários ‌realizados desde a última segunda-feira representam a maior intervenção já feita pelo Tesouro Nacional ao menos desde 2013, em termos nominais, segundo levantamento da Warren ‌Rena.

Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macroeconomia e ‌dívida pública da Warren, a decisão do Tesouro de intervir logo e ⁠com força foi acertada e respondeu a um movimento de venda em massa de títulos públicos no fim da semana passada que havia distorcido o mercado.

"É uma estratégia do Tesouro de buscar equilibrar o mercado, trazer o mercado de volta à funcionalidade, e isso é muito importante porque sozinho o mercado levaria semanas ‌para fazer isso", disse, ressaltando que uma ausência de intervenção também poderia levar a ‌uma espiral de piora ⁠no mercado.

Ao entrar no ⁠mercado recomprando títulos, o Tesouro busca reduzir a pressão de alta sobre as taxas futuras ⁠de juros, impactadas pelo conflito militar no ‌Irã, com receios no mercado ‌de que a alta na cotação do petróleo impactará a inflação no Brasil, reduzindo o tamanho do esperado ciclo de cortes da Selic pelo Banco Central.

Na avaliação de Vital, que foi coordenador-geral de Operações da Dívida Pública ⁠do Tesouro, apesar de relevante, a intervenção é pequena em relação aos números da dívida pública, com a União tendo hoje mais de R$1 trilhão em seu colchão de liquidez.

Para ele, o Tesouro sai ganhando com a operação porque acalma o mercado ao enxugar excessos ‌e gera efeito positivo na curva de juros ao reduzir prêmios de risco.

Vital diz ser difícil prever a necessidade de novos leilões diante do ambiente atual, ⁠que inclui incertezas sobre a guerra no Irã e seus efeitos sobre a economia global, além de haver opiniões divididas no mercado sobre como o Banco Central brasileiro conduzirá os juros nesse cenário.

LEILÃO DESTA QUARTA

No leilão desta quarta o Tesouro recomprou, no caso das LTN, 1,15 milhão de títulos para 01/01/2030, no valor financeiro de R$704,8 milhões, e outros 2 milhões de papéis para 01/01/2032 no valor de R$941,9 milhões.

No caso das NTN-F, foram recomprados 2,72 milhões de títulos para 01/01/2033, no valor de R$2,342 bilhões, e 1,7 milhão de papéis para 01/01/2035, no valor de R$1,421 bilhão.

Apesar de ter feito simultaneamente leilões de venda de LTN e NTN-F, o Tesouro não aceitou propostas nestes casos.

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