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Temos preocupação com eventuais novas tarifas dos Estados Unidos, diz ministro da Fazenda

Durigan afirma que Pix causa 'incômodo' à família Bolsonaro e aos EUA; ele diz procurará o secretário de Tesouro americano para falar de facções, mas não imediatamente: 'não cabe vassalagem'

1 jun 2026 - 15h30
(atualizado às 15h42)
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira, 1º, que o governo está preocupado com a possibilidade de uma nova rodada de tarifas sobre bens brasileiros pelos EUA devido às investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país.

"Tem uma preocupação do nosso governo com eventuais novas tarifas que podem ser impostas de maneira unilateral, muitas vezes não considerando o que levamos de bons argumentos para os norte-americanos", disse o ministro, durante entrevista ao canal SBT News.

Durigan reforçou que as autoridades brasileiras têm feito um esforço para fornecer aos Estados Unidos informações sobre os pontos investigados com base na Seção 301, inclusive o desmatamento e os impactos do Pix
Durigan reforçou que as autoridades brasileiras têm feito um esforço para fornecer aos Estados Unidos informações sobre os pontos investigados com base na Seção 301, inclusive o desmatamento e os impactos do Pix
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Durigan reforçou que as autoridades brasileiras têm feito um esforço para fornecer aos Estados Unidos informações sobre os pontos investigados com base na Seção 301, inclusive o desmatamento e os impactos do Pix. Ele negou que o sistema de pagamentos prejudique empresas americanas que atuam no País.

"O Pix não é pensado para ser um produto que vai concorrer e vai diminuir a presença na economia de empresas. Ao contrário, empresas norte-americanas mesmas têm nos dito, e a gente tem levado isso aos Estados Unidos, que o Pix aumentou as transações no país. Então, as empresas estão sendo beneficiadas", disse.

Segundo o ministro, a prioridade do governo é proteger empresários brasileiros que têm relação com os EUA. Ele argumentou que essas empresas não podem sofrer prejuízos por causa de uma "razão política", sem mencionar nominalmente a oposição ao governo Lula.

Durigan diz que deve procurar secretário dos EUA para falar de facções, mas não agora

Durigan disse que pretende conversar com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas pelo governo americano. Mas sinalizou que essa conversa não deve ocorrer imediatamente, criticando a falta de um aviso prévio sobre a designação.

"Eu posso ligar para o Scott Bessent a qualquer momento, eu não tenho problema com isso. Mas não cabe ao Brasil estar no lugar de vassalagem, de passar a mão no telefone toda hora e ficar implorando aos Estados Unidos", disse o ministro.

Os EUA anunciaram a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas na quinta-feira, 28. O ministro relatou que, desde então, vem conduzindo conversas com empresas e o mercado domésticos para entender os impactos da medida, que não foi comunicada previamente ao governo brasileiro.

Durigan destacou três riscos vindos da designação: o aumento de custos de bancos e fintechs, que teriam de rever medidas de compliance e repassariam o preço aos consumidores; uma eventual proibição de acesso ao Pix por instituições financeiras acusadas de envolvimento com o crime organizado pelos EUA; e uma elevação do próprio risco Brasil, com impacto em investimentos.

"Nós estamos cuidando de combater o crime organizado e gostaríamos de ter a contribuição de outros países, e dos Estados Unidos também, e não começar a amedrontar e gerar um argumento que não é real, aumentando o risco e o custo da nossa economia", disse.

O ministro relatou que, nos próximos dias, deve conversar com agências de classificação de risco para evitar uma piora do rating brasileiro por causa da decisão dos EUA. Ao mesmo tempo, disse que vai buscar manter os canais diplomáticos abertos.

'Pix causa incômodo à família Bolsonaro e aos EUA'

Durigan disse que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os Estados Unidos ficam igualmente "incomodados" com o Pix. Na semana passada, o governo dos EUA designou facções brasileiras como terroristas, após uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente americano, Donald Trump.

"Acho que gera um incômodo à família Bolsonaro, que deve estar incomodada com o Pix, e gera um incômodo aos norte-americanos, que também estão apontando o Pix o tempo todo como algo que pode atrapalhar os negócios", disse. "O que nós estamos dizendo é: o Pix ajuda os negócios, não atrapalha os negócios."

Durigan vem afirmando que a designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. O Tesouro americano, segundo o ministro, poderia aplicar sanções a instituições financeiras brasileiras de forma unilateral, com impacto no sistema.

Antes da designação, os EUA já haviam expressado preocupação com o Pix. Uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei Comercial americana apontava o sistema de pagamentos como uma possível concorrência desleal que prejudicaria empresas americanas operando no Brasil.

O ministro destacou que os processos de negociação conduzidos pelo Brasil com os EUA - sobre a investigação da Seção 301, as facções criminosas e as tarifas americanas em geral - são diferentes. Ele disse que, possivelmente, haverá uma resposta específica sobre a 301 antes do fim de negociações de um grupo de trabalho dos dois países sobre as tarifas.

Estadão
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