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Saab deve ampliar capacidade de produção de caças no Brasil caso venda para Ucrânia se concretize

Empresa sueca tem parceria com a Embraer para produção dos caças Gripen em Gavião Peixoto (SP); Ucrânia prevê comprar um lote inicial de 20 aviões, número que poderá chegar a 150

1 jun 2026 - 13h26
(atualizado às 18h16)
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ENVIADA ESPECIAL A LINKÖPING - A sueca Saab — que vem transferindo tecnologia para a Embraer produzir caças supersônicos em Gavião Peixoto (interior de São Paulo) — deverá ampliar sua capacidade no Brasil se a Ucrânia concretizar a compra de até 150 aeronaves Gripen.

"Já começamos a analisar quais investimentos serão necessários para aumentar a capacidade. Vamos aumentar a produção na Suécia e no Brasil. E talvez investir em novas instalações de produção também, dependendo de quantos pedidos recebermos", disse nesta segunda-feira, 1.º, o diretor de marketing do Gripen, Mikael Franzén.

Na semana passada, o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, e o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, anunciaram que Kiev pretende adquirir um lote inicial de até 20 caças Gripen modelos E (para um tripulante) e F (para dois tripulantes). O pedido de 150 unidades já havia sido mencionado no ano passado.

Na linha de produção que a Saab tem no Brasil, em parceria com a Embraer,são produzidos os modelos E - a primeira unidade foi entregue no fim de março. Os contratos de venda para Kiev, no entanto, ainda não foram assinados.

De acordo com Franzén, a produção atual da Saab é de cerca de 20 Gripens por ano. "O que estamos avaliando é expandir para 30, mas em alguns cenários podemos precisar ir além disso." Para chegar às 150 unidades desejadas por Kiev, a companhia sueca deverá produzir em lotes.

Hoje, além de produzir os caças para o Brasil, a unidade em Gavião Peixoto pode servir como base para fabricar as 15 unidades do Gripen E encomendadas pela Colômbia. O país vizinho tem ainda um pedido de outras duas aeronaves modelo Gripen F.

Crescimento da demada por caças

As guerras na Europa e, mais recentemente, no Oriente Médio, alavancaram os negócios da Saab. Enquanto Ucrânia e Rússia, além de Israel, Estados Unidos e Irã, não chegam a acordos de paz, as vendas da sueca dobram.

Em 2021, um ano antes de a guerra na Ucrânia começar, a companhia vendeu 39,2 bilhões de coroas suecas (cerca de R$ 21 bilhões na cotação atual). No ano passado, foram 79,1 bilhões de coroas suecas (R$ 42,3 bilhões), o que significa uma alta de 102%.

A companhia também tem ampliado o número de trabalhadores em ritmo acelerado. Hoje, são 30 mil trabalhadores - sendo 13 mil engenheiros. Na comparação com dezembro do ano passado, o crescimento é de 7,1%. Nos doze meses anteriores, esse número já havia aumentado 13,4% .

Antes de a Rússia invadir a Ucrânia, as vendas da Saab avançavam em uma velocidade que variava entre 4% e 7%. Desde o início do conflito, o crescimento anual superou 20%. Em 2024, atingiu 26%. A companhia espera chegar em 2027 com vendas ultrapassando 100 bilhões de coroas suecas (R$ 54 bilhões).

O diretor global de desenvolvimento de negócios e vendas da empresa, Fredrik Gustafson, reconhece que desde a Guerra Fria os investimentos na indústria de defesa estavam baixos — daí o aumento expressivo nos últimos cinco anos. "Um dos gatilhos (para o maior aporte no setor) foi a guerra na Ucrânia, mas também a crescente instabilidade global."

A própria Suécia investia pouco mais de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa há dez anos, de acordo com Gustafson. O governo sueco promete aumentar para 3,5% nos próximos anos. Nos países da Organização do Atlântico Norte (Otan), os gastos em defesa passaram de 1,7% do PIB em 2020 para 2,3% em 2024, e as estimativas apontam que deve chegar a 3,5% em 2035.

A repórter viajou a convide da Saab.

Estadão
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