Taxas sobem sob influência da guerra, apesar de desaceleração de serviços no IPCA-15
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem altas firmes nesta manhã de quinta-feira, após o Banco Central manter sua expectativa para o PIB em 2026, citando maior incerteza em função da guerra no Irã, e a inflação pelo IPCA-15 em março ficar acima das projeções do mercado, mas revelar desaceleração dos preços de serviços.
O avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em um dia de maior cautela em relação à guerra, corrobora a alta das taxas no Brasil.
Às 10h02, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,095%, com alta de 30 pontos-base ante o ajuste de 13,8% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,12%, com elevação de 13 pontos-base ante 13,992%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 5 pontos-base, a 4,34%.
Mais cedo, em seu Relatório de Política Monetária, o BC projetou crescimento de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mesma taxa estimada em dezembro -- bem antes da guerra no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, a instituição indicou que a inflação passará a subir a partir do primeiro trimestre deste ano, sob pressão do avanço dos preços do petróleo em função da guerra, que trouxe maior incerteza para o cenário. Às 11h o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor da instituição Paulo Picchetti concedem entrevista coletiva.
Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,44% em março -- mais que a taxa de 0,29% projetada por economistas ouvidos pela Reuters, mas bem abaixo do 0,84% de fevereiro.
A abertura do indicador surpreendeu positivamente. A inflação de serviços passou de 1,49% em fevereiro para 0,49% em março, conforme cálculos do banco Bmg, com a taxa dos serviços subjacentes desacelerando de 0,66% para 0,49%. No caso dos serviços intensivos em mão de obra, houve estabilidade em 0,66%. A média dos núcleos de inflação observados pelo BC passou de 0,65% em fevereiro para 0,35% em março.
De acordo com o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, a abertura do IPCA-15 foi positiva, mas isso não impede o avanço firme das taxas dos DIs nesta manhã, por conta do cenário externo desfavorável.
A expectativa atual de Serrano é de corte de apenas 25 pontos-base da Selic em abril -- e não mais de 50 pontos-base, como a instituição e boa parte do mercado vinham precificando anteriormente.
"O BC vai acelerar (os cortes da Selic) apenas em junho -- mas, claro, dependendo do cenário internacional", acrescentou.
Na B3, as opções de Copom precificavam na terça-feira -- dado mais recente -- 36,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic, 28,50% de chance de redução de 50 pontos-base e 22,00% de possibilidade de manutenção da taxa em 14,75%.
Antes da guerra, os percentuais eram de 77,50% para corte de 50 pontos-base, 20,04% para redução de 25 pontos-base e zero para manutenção.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries, o dólar e o petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira, em meio à continuidade dos conflitos no Oriente Médio. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os negociadores iranianos estavam "implorando" por um acordo, o Irã disse que o plano norte-americano de cessar-fogo está sob análise, mas que não há negociações.
Às 10h02, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 4 pontos-base, a 4,368%.