Taxas dos DIs têm altas leves na contramão do exterior
Na contramão do exterior, as taxas dos DIs subiram nesta terça-feira após a ata do Copom defender a manutenção do caráter restritivo da Selic, hoje a 13,75%, devido à pressão da demanda. O mercado também reagiu ao cenário eleitoral, onde pesquisa Quaest apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (42%) e Lula (41%) no segundo turno. A redução da vantagem numérica de Flávio foi mal recebida por investidores, que temem os impactos fiscais de uma reeleição petista e aguardam o discurso de Lula na ONU.
As taxas dos DIs sustentavam leves altas nesta manhã de terça-feira, na contramão do exterior, onde o petróleo e os rendimentos dos Treasuries operavam em baixa.
Mais cedo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata do encontro da semana passada, quando a taxa básica Selic sofreu corte de 25 pontos-base, para 13,75%.
Às 10h35, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,56%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 13,528% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,04%, com elevação de 1 ponto-base ante 14,028%.
O Copom defendeu na ata a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação.
"Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirmou o BC no documento.
Para o economista Carlos Lopes, do banco BV, o cenário para o próximo encontro do Copom segue "completamente aberto".
"O Banco Central aguarda principalmente o cenário eleitoral, mas também a evolução no quadro internacional, política de juros americana para tomar a próxima decisão. Então, acho que a estratégia do Banco Central é justamente aguardar o que acontece no cenário internacional, o que acontece aqui com o resultado da eleição, para na próxima reunião decidir se segue cortando ou não", avaliou.
O próximo encontro do Copom ocorrerá no início de novembro, já após o segundo turno da eleição presidencial.
Na noite de segunda-feira, uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico. Na semana anterior, Flávio tinha os mesmos 42% e Lula somava 40%.
Dois profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que, embora persista o empate técnico na pesquisa Quaest, o fato de a vantagem numérica de Flávio no segundo turno ter diminuído foi mal recebida. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.
Nesta manhã, os investidores também estão atentos à Assembleia Geral da ONU. Além do discurso de Lula, programado para esta manhã, há expectativa por algum avanço nas negociações entre EUA e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Às 10h35, o petróleo Brent cedia 1,93%, aos US$98,40 o barril, enquanto o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,949%.
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