Itaú fecha maior locação de escritórios já vista e aluga 2 prédios para volta ao trabalho presencial
Banco assinou contrato para ocupar duas torres de um complexo em São Paulo que pertence à Eztec; Itaú alterou em junho regras do modelo de trabalho híbrido
O Itaú Unibanco fechou o maior contrato de locação corporativa do país ao alugar as duas torres do complexo Esther Towers, da Eztec, em São Paulo. O acordo de dez anos renderá R$ 1,17 bilhão à incorporadora e abrange 91,4 mil m² para comportar 9.600 posições de trabalho. A operação visa atender ao retorno gradual do trabalho presencial e à expansão das atividades do banco, que passará a exigir maior frequência física dos funcionários, refletindo uma tendência de revisão do home office no setor financeiro.
O Itaú Unibanco fechou a maior locação já vista no mercado de escritórios no Brasil. O banco assinou, na noite de quinta-feira, 18, o contrato para ocupar as duas torres do complexo Esther Towers, localizadas na Avenida Chucri Zaidan, zona empresarial de São Paulo. O empreendimento pertence à Eztec, incorporadora da família Zarzur. A transação foi antecipada pelo Estadão/Broadcast no início deste mês.
O contrato tem duração de dez anos, prorrogável por mais cinco. O negócio vai gerar uma receita de locação de R$ 1,17 bilhão em dez anos para a Eztec, considerando os preços de fechamento na data desta sexta-feira. O contrato tem correção pelo IPCA, além de estar sujeito a revisionais conforme a evolução dos preços no mercado, como é comum nesse tipo de contrato. A intermediação foi feita pelas consultorias CBRE (lado Eztec) e Binswanger Brazil (lado Itaú).
Para o Itaú, a locação atende à necessidade de ampliação da sua área de escritórios para comportar o crescimento das atividades do banco e, principalmente, a maior frequência do expediente presencial. Durante a pandemia, a instituição financeira devolveu vários escritórios com a mudança para o home office.
Em junho, o Itaú alterou as regras do modelo de trabalho híbrido. A nova política determina frequência mínima obrigatória de presença nos escritórios para três dias por semana para os funcionários administrativos, com vigência a partir do primeiro trimestre de 2028. Para os superintendentes, a exigência será de quatro dias e começa em janeiro de 2027, equiparando-se à diretriz que já vale para diretores.
"A locação contempla cerca de 9.600 posições de trabalho e integra o plano de investimentos em infraestrutura anunciado pelo Itaú, que prepara seus polos para a evolução gradual do modelo híbrido", afirmou o banco, em comunicado. "A escolha do Esther Towers levou em conta critérios operacionais, de infraestrutura e de atendimento às necessidades futuras, com foco em ambientes que favoreçam a colaboração, a troca de conhecimento e a integração entre as equipes. O novo polo se soma às operações já existentes na cidade", emendou.
O banco tem mais de 80 mil funcionários no Brasil, dos quais cerca de 40% atuam presencialmente, com atendimento ao público ou funções que dependem de apoio físico dos escritórios ou agências. Os outros cerca de 60% estão no modelo híbrido, ou seja, dão expediente em casa, mas com a obrigação de comparecer um mínimo de dias aos escritórios.
A decisão acompanha um movimento mais amplo no setor financeiro de reavaliação dos sistemas de trabalho adotados após a pandemia. O Nubank, por exemplo, também alugou uma série de prédios após anunciar a redução do sistema de home office.
E, para a Eztec, a locação representa um passo fundamental para seu investimento imobiliário. A incorporadora iniciou a construção do complexo Esther Tower em 2019. A primeira torre já recebeu o Habite-se (documento que libera a ocupação), e a segunda será entregue no terceiro trimestre do ano que vem. O nome do complexo é uma homenagem à Dona Esther Zarzur, esposa do fundador da empresa, Seu Ernesto, um dos maiores empreendedores do mercado paulistano, falecido em 2021.
A locação contempla uma área de 91,4 mil metros quadrados de escritórios, o equivalente a 12 campos de futebol. A reportagem apurou que o preço de aluguel pedido estava na faixa de R$ 120 a R$ 125 por metro quadrado. Se descontada a carência, o valor líquido ficou perto de R$ 106 por metro quadrado. A Eztec concedeu carência em linha com as práticas de mercado, que vão de 6 a 12 meses sem o inquilino pagar aluguel, apurou o Estadão/Broadcast.
"A Eztec declara que a operação faz parte da avaliação contínua de alternativas estratégicas para seus ativos", informou a empresa, em comunicado. A Eztec desenvolve e constrói empreendimentos imobiliários para a venda — que é o próximo passo das suas torres. A companhia já comunicou que a venda do complexo ocorreria só após a locação. E como o aluguel aconteceu numa só tacada, a tendência é que a venda seja acelerada. Pelas contas do mercado, o Complexo Esther Towers vale em torno de R$ 1,5 bilhão.
Como inquilino, o Itaú tem prioridade numa eventual aquisição do complexo. A principal sede administrativa do banco é o Centro Empresarial Itaú Unibanco (CEIC), no Jabaquara, zona sul da capital paulista. Já o Itaú BBA fica no Edifício FL 3500, em plena Avenida Faria Lima. Ambos são imóveis próprios.
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