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Taxas dos DIs sobem com serviços pressionados no IPCA e alta de rendimentos dos Treasuries

12 mai 2026 - 16h54
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As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com leves altas ‌após o anúncio da inflação de abril, que veio perto do esperado, mas com alguns indicadores de serviços ainda acelerados.

A alta das taxas também esteve em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em mais um dia de elevação dos preços do petróleo em função do impasse entre EUA e Irã. 

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,835%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,764% da sessão anterior. Na ponta longa ⁠da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,88%, com elevação de 3 pontos-base ante o ‌ajuste de 13,852%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou pela manhã que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,67% em abril, desacelerando ante a taxa de 0,88% de março. O resultado ficou próximo da projeção de 0,69% dos ‌analistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, o IPCA acumulou 4,39%, ante 4,40% ‌projetados.

Apesar do resultado cheio quase em linha com o esperado, a abertura do IPCA ainda revelou uma inflação pressionada ⁠em algumas métricas.

Embora a inflação de serviços tenha desacelerado de 0,53% em março para 0,04% em abril, a taxa dos serviços subjacentes passou de 0,49% para 0,52% no período, conforme cálculos do banco Bmg. O índice de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,58% para 0,71%.

A taxa média dos núcleos de inflação monitorados pelo Banco Central passou de 0,44% em março para 0,49% em abril, de acordo com o Bmg.

"Todos os cinco núcleos vieram acima do projetado, e a leitura reforça um quadro ‌de pressão mais disseminado do que o número cheio sugere", comentou Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, acrescentando que a gasolina, cujos ‌preços desaceleraram de 4,59% para 1,86% em ⁠março, foi o principal contraponto benigno. 

"No ⁠balanço, o IPCA de abril combina um 'headline' (número principal) próximo do esperado com uma mensagem qualitativa ruim: núcleos pressionados, serviços mais resilientes e alimentos ⁠piores, parcialmente compensados por gasolina", acrescentou. 

Na esteira dos números, a taxa do DI ‌para janeiro de 2029 marcou a máxima ‌de 13,880% (+12 pontos-base) às 9h02 -- pouco depois da abertura da sessão e da divulgação do IPCA. 

No geral, a percepção dos analistas foi de que o IPCA reforçou a tendência de um corte de apenas 25 pontos-base da Selic em junho, sem que haja uma garantia de mais reduções depois. 

Na última sexta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de ⁠Copom negociadas na B3 precificavam 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 24,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 9,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base. 

Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 35,5% para corte de 25 pontos-base, 35% para manutenção e 23,5% para redução de 50 pontos-base. 

"O dado (do IPCA) reforça a necessidade de cautela. O debate saiu de 'quanto acelerar' (nos ‌cortes da Selic) para 'onde parar', com probabilidade crescente de uma interrupção precoce do ciclo caso a desinflação de serviços não ganhe tração", avaliou Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. 

O movimento de alta das taxas dos DIs nesta terça-feira também foi influenciado ⁠pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pela elevação do petróleo, que voltou a ser negociado acima dos US$108 o barril em Londres. 

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que o cessar-fogo entre os países "respira por aparelhos", uma autoridade do Irã disse nesta terça-feira que o país expandiu sua definição do Estreito de Ormuz para uma "vasta área operacional", muito mais ampla do que antes da guerra. 

O tráfego de navios pelo estreito, por onde circulam 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo, seguiu prejudicado.

À tarde, Trump afirmou que terá uma longa conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra no Irã durante sua viagem à China, mas acrescentou que não acha que precisa da ajuda de Xi. Mais tarde, Trump disse que tem "muitas coisas" para discutir com Xi, mas "não diria que o Irã é uma delas". 

Além do cenário nebuloso no Oriente Médio, os rendimentos dos Treasuries reagiram ao índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que subiu 3,8% em 12 meses até abril, o maior aumento anual desde maio de 2023. 

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 5 pontos-base, a 4,459%.

(Edição de Pedro Fonseca)

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