Taxas dos DIs perdem força sob influência do Fed, mas fecham com altas leves
Após sustentarem ganhos firmes mais cedo, as taxas dos DIs chegaram a virar para o negativo durante a tarde, em meio a comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, mas encerraram a sessão regular com altas leves, num dia em que o petróleo no exterior voltou a superar os US$90.
Os dados de empregos formais no Brasil mostraram geração de vagas acima do esperado, mas no pior ritmo para o mês desde 2020, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho está desacelerando.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,995%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,976% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,68%, com aumento de 4 pontos-base ante 14,64%.
Até a metade da tarde as taxas sustentaram ganhos firmes, de mais de 10 pontos-base em alguns vencimentos, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo que antecedeu a decisão do Fed sobre juros, às 15h.
Como esperado, o Fed manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a decisão foi dividida: enquanto nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, três defenderam um aumento de 25 pontos-base já nesta reunião.
Logo após o anúncio, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e as taxas dos DIs desaceleraram os ganhos, mas durante a entrevista coletiva de Warsh o enfraquecimento se consolidou.
Na entrevista, Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e disse que a instituição não hesitará em agir. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação "animadores" e disse que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado.
Durante os comentários de Warsh, os rendimentos dos Treasuries de dois anos se firmaram em queda.
No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam o movimento. Após marcar a máxima de 14,070 (+9 pontos-base) às 9h16, ainda na primeira hora da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,925% (-5 pontos-base) às 16h02, em meio aos comentários de Warsh. Já o DI para janeiro de 2035 variou entre a máxima de 14,695% (+6 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 14,585% (-6 pontos-base) às 15h, no minuto do anúncio do Fed.
O viés de baixa, no entanto, não se consolidou no Brasil, com as taxas voltando a exibir altas nos contratos a partir de janeiro de 2028, ainda que distantes das máximas do dia.
"Parte dos dirigentes (do Fed) continua demonstrando preocupação com uma inflação que segue acima da meta e defende uma postura mais restritiva, o que levou os investidores a aumentar a probabilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses", ponderou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments.
"Esse cenário pressiona principalmente a curva de juros americana, especialmente nos vencimentos mais curtos, e acaba refletindo também nos mercados emergentes, como o Brasil", acrescentou.
O avanço firme do petróleo Brent no exterior, para acima dos US$90 o barril, foi outro fator de suporte para a curva brasileira, em meio às preocupações do mercado com o efeito inflacionário da guerra no Oriente Médio.
No Brasil, a perda de força das taxas futuras ocorreu já após os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, acima dos 115.000 postos projetados por economistas ouvidos pela Reuters.
Apesar do resultado acima do esperado, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando 53.381 vagas foram fechadas durante a pandemia de Covid-19.
Para o economista Rodolfo Margato, da XP, há sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, e não de contração.
"Projetamos que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026", afirmou Margato em comentário escrito.
Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 4,234%, após ter sustentado ganhos firmes antes da decisão do Fed. Já o retorno do rendimento de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6 pontos-base, a 4,665%.
(Edição de Pedro Fonseca)
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