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Wall Street encerra com forte queda após Fed deixar taxas inalteradas

29 jul 2026 - 17h17
(atualizado às 17h58)
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Wall Street encerrou a sessão desta quarta-feira com forte queda, após ‌o Federal Reserve deixar as taxas de juros inalteradas, com as ações de empresas de chips relacionadas à IA agravando as recentes perdas antes da divulgação dos relatórios trimestrais da Microsoft e da Meta, e o índice Nasdaq 100 registrando uma queda de 11% em relação à sua máxima histórica atingida em junho.

A decisão amplamente esperada do Fed de manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% gerou dissidências de três dos 12 ⁠membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), responsável pela definição da política monetária, que "preferiam" um aumento de um quarto de ‌ponto percentual nesta reunião.

O índice de referência S&P 500 atingiu seu nível mais baixo em um mês, enquanto o Nasdaq , com forte presença de empresas de tecnologia, registrou queda de cerca de 9% em relação à sua máxima histórica ‌de junho.

A maioria dos investidores esperava que o Fed mantivesse as taxas ‌de juros. A inflação vem ficando acima da meta do banco central há mais de cinco anos e, ⁠até o mês passado, estava se acelerando, à medida que a guerra no Oriente Médio impulsionava os preços globais de combustíveis e alimentos.

"O Fed deixou as taxas inalteradas, como esperado. A grande questão agora, porém, é: quanta pressão eles terão para aumentar as taxas em setembro? A inflação está em alta e, com o aumento do preço do petróleo bruto, o mercado espera que o próximo aumento ocorra de fato em setembro", disse Ryan Detrick, estrategista-chefe de mercado ‌do Carson Group.

Os investidores temem que as principais empresas norte-americanas estejam aprofundando uma rede de investimentos ligados à IA e ‌continuem a canalizar bilhões para essa tecnologia ⁠emergente às custas do fluxo ⁠de caixa livre.

A Meta caiu 4% após o fechamento depois que a empresa de mídia social informou que agora espera que ⁠os gastos de capital em 2026 fiquem entre US$130 bilhões e US$145 ‌bilhões, em comparação com sua previsão ‌anterior de US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões.

Também no pós-mercado, a Microsoft subiu 0,6% depois de superar as estimativas de Wall Street para o crescimento trimestral da receita de nuvem, um sinal de que seus gastos maciços em infraestrutura de IA estavam valendo a pena.

Enquanto isso, a concorrência da China vem se intensificando, ⁠tanto na corrida para desenvolver chips avançados quanto com o lançamento de modelos de IA mais baratos por parte das empresas chinesas.

Em declarações à imprensa, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que os gastos com IA estavam preparando o terreno para o crescimento futuro.

Fabricantes de chips relacionados à IA ampliaram as perdas recentes depois que o lucro trimestral da SK Hynix ficou aquém das altas expectativas dos ‌investidores. As ações da empresa sul-coreana caíram 10%.

A Vertiv, empresa de infraestrutura de IA, despencou 17% após não atingir as expectativas de receita trimestral.

O S&P 500 recuou 1,52%, encerrando o pregão em 7.316,15 pontos. O Nasdaq recuou 1,74%, ⁠para 24.442,94 pontos, enquanto o Índice Dow Jones Industrial Average recuou 2,19%, para 51.594,14 pontos.

Oito dos 11 índices setoriais do S&P 500 registraram queda, liderados pelo setor industrial, com queda de 3,24%, seguido por uma perda de 2,5% no setor de tecnologia da informação.

Analistas esperam, em média, que os lucros agregados do S&P 500 no segundo trimestre aumentem 40% em relação ao ano anterior, com as ações relacionadas à IA sendo responsáveis por grande parte desse crescimento, de acordo com a LSEG I/B/E/S.

As fortes previsões de lucros e a recente queda de Wall Street fizeram com que o S&P 500 fosse negociado a cerca de 20 vezes os lucros esperados, um pouco acima de sua média de 10 anos, que é de 19, de acordo com dados da LSEG.

A Ford Motor subiu 2,1% após elevar sua previsão de lucro anual pela segunda vez neste ano. A Lennox despencou 21% depois que a fabricante de soluções de climatização reduziu sua previsão de lucro anual.

A Visa subiu 0,6% depois que a empresa superou as estimativas de lucro trimestral, impulsionada pela demanda por viagens gerada pela Copa do Mundo.

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