Tarifas dos EUA ao Brasil e guerra no Oriente Médio movem mercados
Ações de semicondutores também pressionam as bolsas no exterior
As novas tarifas são resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo o órgão, o Brasil concedeu benefícios comerciais ao México e à Índia sem oferecer tratamento semelhante aos EUA.
Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira (16), com investidores no Brasil acompanhando principalmente os desdobramentos da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor no próximo dia 22 e deve seguir no centro das atenções após o governo brasileiro anunciar que recorrerá à Lei de Reciprocidade Econômica.
As novas tarifas são resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo o órgão, o Brasil concedeu benefícios comerciais ao México e à Índia sem oferecer tratamento semelhante aos EUA. Apesar da sobretaxa, parte dos principais produtos da pauta exportadora brasileira ficou de fora da medida por serem considerados estratégicos para a economia americana, seja pelo risco de elevar preços nos EUA, seja pela limitação da produção local. De acordo com a Amcham Brasil, o tarifaço pode atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio.
No cenário internacional, as bolsas asiáticas encerraram o dia em queda, enquanto os mercados europeus operam pressionados pelas perdas das fabricantes de semicondutores. O movimento reflete as dúvidas sobre a continuidade do rali das empresas ligadas à inteligência artificial e antecede a divulgação das vendas no varejo e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos.
No Oriente Médio, a guerra entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo. As forças americanas realizaram a quinta noite consecutiva de ataques, atingindo alvos no norte do Irã e, pela primeira vez nesta nova ofensiva, a capital Teerã. Em resposta, o governo iraniano lançou drones e mísseis contra aliados dos EUA, afirmou que poderá ampliar a retaliação e, ao mesmo tempo, sinalizou disposição para retomar as negociações.
A nova ofensiva ocorreu após o restabelecimento do bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a Casa Branca, a medida busca reabrir o Estreito de Ormuz, fechado por Teerã no último sábado. Apesar da escalada militar, o mercado de petróleo opera próximo da estabilidade, após três sessões consecutivas de alta que levaram o Brent a acumular valorização próxima de 12% na semana. Por volta das 10h, o contrato para setembro subia 0,98%, cotado a US$ 85,76 por barril, na ICE.
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