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Empresários de setores afetados pelo tarifaço devem pressionar governo a adotar Lei da Reciprocidade

Avaliação de lideranças empresariais é de que as negociações bilaterais se esgotaram e que os produtos brasileiros ficarão em desvantagem

16 jul 2026 - 10h13
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BRASÍLIA - Os setores mais afetados pelo novo tarifaço de 25% dos Estados Unidos, sobretudo o industrial, já têm a estratégia de enfrentamento definida. Empresários defendem que o governo brasileiro retalie as medidas americanas após a nova ofensiva e pedem a aplicação da Lei de Reciprocidade. O pleito já foi levado por representantes do setor privado ao Ministério das Relações Exteriores, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ao Ministério da Fazenda e à Vice-Presidência da República, segundo relatos de empresários ouvidos pelo Broadcast Agro.

A avaliação de lideranças empresariais é de que as negociações bilaterais se esgotaram e que as cadeias ficam em desvantagem ante os produtos americanos importados. De acordo com um empresário da indústria, ouvido sob condição de anonimato, a primeira ação deveria ser impor taxação na mesma ordem. Segundo ele, a reciprocidade deve ser adotada apenas em última instância e essa hora chegou, não há mais espaço diplomático.

Parte dos setores prejudicados defende, ainda, que o Brasil acione a Organização Mundial do Comércio (OMC) e prepare uma retaliação escalonada. Um representante que atuou na defesa de vários setores junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) acredita que haverá muita pressão do setor privado para aplicar a lei de reciprocidade contra os Estados Unidos.

Porto de Navegantes: tarifaço dos EUA vão encarecer parte das exportações brasileiras
Porto de Navegantes: tarifaço dos EUA vão encarecer parte das exportações brasileiras
Foto: Anderson Coelho/Estadão / Estadão

A pressão do empresariado pavimentou a posição do governo na véspera e no pós-tarifaço. Um dia antes do anúncio da decisão americana, a possibilidade já era aventada pelas autoridades brasileiras. Uma outra pessoa que acompanha essas conversas lembra, porém, que não é um processo rápido, já que é preciso passar pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e cumprir uma série de etapas. Mas a avaliação é que o governo não tem muita alternativa. Ele lembra que outras situações comerciais com os Estados Unidos foram resolvidas apenas quando o governo brasileiro elevou o tom e prometeu ações retaliatórias em setores sensíveis aos EUA, como o de patentes de medicamentos.

Ontem, após a confirmação pela Casa Branca, o governo brasileiro afirmou repudiar a decisão de Washington. Disse também que "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade" e "retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)", conforme nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Já um alto funcionário do governo americano afirmou a jornalistas que se o Brasil retaliar, os Estados Unidos podem lançar mão de novas ações sobre o País.

Estadão
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