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Impactos do tarifaço na rotina dos brasileiros são limitados; entenda

Possíveis efeitos sobre a inflação só devem ser sentidos caso haja um aumento brusco no dólar, o que não ocorreu até o momento

16 jul 2026 - 11h20
(atualizado às 11h58)
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Governo Lula diz que decisão é 'marco lastimável' e que acionará reciprocidade após novo tarifaço dos EUA:

O novo tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos tomou o noticiário macroeconômico nesta quinta-feira, 16. Mas, no final da cadeia, no bolso do cidadão brasileiro, qual deve ser o impacto dessa nova taxa? Ao que tudo indica até o momento, o efeito do tarifaço deve ser limitado. 

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os danos maiores devem ocorrer nas empresas exportadoras, sobretudo dos setores de ferro e aço, madeira, têxtil e calçados. Com quedas em exportações, esses setores podem sofrer com perda de mercado e uma consequente diminuição de empregos. 

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio brasileiro devem ser afetados pela nova tarifa. A entidade estima que o tarifaço deve atingir 3.000 produtos que o Brasil exporta para os EUA.

Danos do tarifaço devem ser maiores a exportadores, mas não tanto ao consumidor final
Danos do tarifaço devem ser maiores a exportadores, mas não tanto ao consumidor final
Foto: Saulo Angelo/GettyImages

Porém, para o consumidor final, não há a expectativa de aumento de preços -- pelo contrário. "A experiência do ano passado sugere o oposto. Quando os produtores brasileiros perderam espaço para exportar aos EUA, muitos passaram a vender mais no mercado interno, o que ajudou a segurar preços por aqui", afirma Kayo.

Ele explica, no entanto, que tal efeito deve ser menor desta vez, porque parte das produções já foram reduzidas na expectativa de novos riscos tarifários. "Ainda assim, o sinal aponta mais para pressão baixa sobre a inflação do que para alta de preços", diz. 

Dólar, inflação e investimentos

O economista Vitor Kayo também entende que o tarifaço não deve gerar um aumento brusco do dólar. "O mercado já esperava a tarifa havia dias, e o dólar fechou o dia do anúncio praticamente parado, perto de R$ 5,08", afirma. 

Ainda assim, caso ocorra uma subida do dólar mais duradoura, Kayo analisa que, então, os preços no mercado brasileiro poderiam subir. "Itens que dependem de insumos importados, como combustível e eletrônicos, podem sentir isso pouco a pouco, ao longo de meses. Mas esse não é o efeito principal a esperar agora", diz.

O Diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, Cassio Viana de Jesus, compartilha de análise similar. Ele considera que o maior risco do novo tarifaço recai sobre a política monetária, caso a diminuições das exportações do Brasil para os EUA gere um aumento no dólar e, consequentemente, aumente a pressão inflacionária.

Mas, até o momento, este ainda é um cenário futuro e especulativo. "Apesar das mudanças, a reação geral do mercado ocorreu sem pânico, visto que a medida já estava precificada pelos investidores. O dólar e o Ibovespa seguem estáveis, o que, contudo, não impede eventuais correções de curto prazo", afirma. 

Analistas também consideram que o aumento da lista de isenções foi a parte do anúncio que pegou o mercado de surpresa, positivamente. 

Para quem é investidor, o momento requer atenção com empresas mais expostas ao mercado norte-americano. "Bancos, utilities, concessões e empresas voltadas ao mercado doméstico tendem a apresentar desempenho relativamente melhor, por terem menor sensibilidade ao comércio exterior. A partir de agora, o principal fator para os ativos brasileiros será a evolução das negociações entre os dois governos e a possibilidade de revisão ou ampliação das medidas", avalia Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Fonte: Portal Terra
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