Tarifas de Trump já impactam exportações agropecuárias do Brasil, diz secretário da Agricultura
Contêineres de pescados e frutas deixaram de ser exportados porque navios chegariam aos EUA após 1º de agosto; café, carne bovina, suco de laranja, frutas, pescados e couros são mais afetados
BRASÍLIA - O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, disse que já há "de certa forma" impacto nas exportações agropecuárias da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
"Buscamos algumas alternativas e entender as dores do setor privado brasileiro, que é quem vai sofrer caso as tarifas venham a ser aplicadas em 1º de agosto. Ainda se mantém tudo como está, mas no comércio internacional, os tempos são diferentes porque envolve o tempo dos navios. E já há, de certa forma, impacto dessas ações anunciadas pelo presidente Trump", afirmou Rua, em audiência pública sobre o tema na Comissão de Relações Exteriores do Senado nesta terça-feira, 15.
Nos últimos dias, contêineres de pescados e de frutas já deixaram de ser exportados ao mercado norte-americano porque as embarcações chegariam nos Estados Unidos após 1º de agosto. "Os seis setores mais afetados pela tarifa dos Estados Unidos são café, carne bovina, suco de laranja, frutas, pescados e couros. Também há impactos no caso do cacau", acrescentou Rua.
O secretário lembrou que o mercado norte-americano respondeu por US$ 12 bilhões das exportações de produtos do agronegócio no ano passado e são um dos três principais destinos das exportações do Brasil, representando 7,4% de tudo que foi exportado pelo setor em 2024.
"É uma situação que pega todos de surpresa e a qual estamos avaliando com muito cuidado. Temos uma pauta bastante diversificada com destaque para café, celulose, carne bovina, suco de laranja, couro e açúcar e os EUA são um dos principais mercados de exportação para uma série de produtos", detalhou.
Rua afirmou, ainda, que o governo brasileiro buscará soluções consensuais com os Estados Unidos, trabalhando sempre com soberania. "Lucidez, equilíbrio e sabedoria devem estar presentes no vocabulário. Entendemos os impactos ao setor produtor exportador e trabalharemos sempre em linha de respeito e negociação", afirmou.
O secretário admitiu que a negociação com os Estados Unidos é "complexa", mas disse entender que o País pode alcançar "bons resultados" com técnica e lucidez. "Estamos falando com empresários e buscaremos nossa forma de negociação. É importante neste momento a união do setor produtivo, do governo e do Legislativo. Tenho certeza que poderemos sair melhor dessa situação do que entramos", projetou.
Além do apoio ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e ao Ministério das Relações Exteriores na negociação, Rua destacou que, em paralelo, o Ministério da Agricultura vai tentar abrir novos mercados e ampliar as relações comerciais com mercados já com fluxo comercial existente.
"Pedimos aos 40 adidos brasileiros que busquem novas oportunidades e que falem com importadores e busquem oportunidades. Buscaremos novas habilitações para carne bovina, ampliaremos promoção comercial e intensificaremos aberturas de mercado a partir da discussão com o setor produtivo", observou, em referência à reunião que ocorre na tarde desta terça-feira no Mdic no âmbito do comitê interministerial que discute a estratégia de resposta aos Estados Unidos.