Tarifa de 50% sobre café brasileiro vai aumentar inflação para consumidor nos EUA, diz Cecafé
Estados Unidos são o maior consumidor de café do mundo, e o Brasil representa 33% do café consumido lá, diz Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
BRASÍLIA - O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) avalia que a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros terá efeito inflacionário no mercado americano.
"Os Estados Unidos são o maior consumidor de café do mundo e o Brasil representa 33% de todo o café consumido lá. O café brasileiro é o mais competitivo e traz corpo e doçura que outras origens não têm. [A taxação] é extremamente inflacionária para a população americana", afirmou o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
Ele fez a declaração a jornalistas após reunião do setor agropecuário dentro do comitê interministerial do governo que discute a reação ao tarifaço dos Estados Unidos.
O Brasil exportou 8,2 milhões de sacas de café aos Estados Unidos em 2024, de um total de 54 milhões de sacas embarcadas para todos destinos no último ano.
Ferreira destacou que cada US$ 1 exportado de café do Brasil gera US$ 43 na indústria americana, que emprega 2,2 milhões de pessoas e gera US$ 343 bilhões na cadeia do café no mercado americano.
O presidente do Cecafé lembrou ainda que os Estados Unidos não produzem café, portanto não há concorrência do grão brasileiro com o agronegócio local. "Nosso papel é dialogar com os importadores americanos", apontou.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, destacou que 76% dos americanos consomem café.
"O café representa 1,85% do PIB brasileiro, e 1,2% do PIB americano. Considerando a experiência da indústria nacional com a americana, há todo um sentimento do setor de que isso seja resolvido", apontou.
"O ambiente é de negociação, urgência e curto prazo para solução imediata e manutenção das boas relações comerciais entre os países", defendeu Cardoso.