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Super El Niño no Brasil: usinas térmicas podem ser ligadas já em setembro

Operador Nacional do Sistema Elétrico apresentou as previsões para a transição entre os períodos seco e úmido em meio ao fenômeno climático

5 set 2026 - 12h26
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Resumo
Diante dos impactos do Super El Niño, o ONS prevê o acionamento de usinas térmicas já a partir de setembro para garantir o suprimento energético no Brasil. O fenômeno traz chuvas para o Sul, mas projeta temperaturas elevadas e condições hidrometeorológicas desfavoráveis para o Sudeste, Centro-Oeste e Norte. Em um cenário crítico de aumento da demanda e queda no armazenamento de água dos reservatórios até 2027, o operador indica o uso total das termelétricas e da reserva de potência do país.

As usinas térmicas do País podem ser ligadas já neste mês diante dos possíveis impactos do Super El Niño no Brasil, segundo apresentação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Pelas projeções, em setembro, a indicação é de chuva acima da média nas bacias da região Sul e próxima à histórica nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. As temperaturas podem oscilar entre a normal e acima da média em grande parte do País.

"O operador acompanha com atenção as condições do sistema nos próximos meses, que marcam a transição entre os períodos seco e úmido, considerando as particularidades das regiões para adotar as medidas operativas mais adequadas a cada cenário. Também estaremos atentos à evolução do fenômeno El Niño, trazendo mês a mês as recomendações ao CMSE", afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.

Segundo as projeções do órgão, em um cenário superior durante o período do El Niño, que dura até fevereiro de 2027, as condições hidrometeorológicas são menos favoráveis, principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste, quando comparadas ao estudo anterior.

Efeitos do El Niño mostram sistema elétrico brasileiro ainda dependente de usinas térmicas, que geram energia mais cara.
Efeitos do El Niño mostram sistema elétrico brasileiro ainda dependente de usinas térmicas, que geram energia mais cara.
Foto: Fabio Motta/Estadao / Estadão

Contudo, as regiões, assim como o Nordeste, têm perspectiva de início do período úmido dentro da normalidade. No Norte, as vazões têm projeções mais moderadas. Para o subsistema Sul, mantêm-se condições favoráveis por conta da precipitação.

Já no cenário menos favorável, de acordo com o ONS, a expectativa é de aumento da demanda de carga, combinada a condições hidroenergéticas menos favoráveis, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e Norte. "Nesse contexto, há o indicativo de despacho da totalidade dos recursos termelétricos e da necessidade de utilização da reserva de potência operativa já a partir de setembro", ressaltou o órgão.

Pelos resultados apresentados, entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, as condições de afluências no Sistema Interligado Nacional (SIN) deverão variar entre 111% e 80% da média histórica (MLT), respectivamente, na previsão mais favorável e na menos otimista.

Se a projeção otimista se confirmar, a Energia Armazenada (EAR) no Sudeste e no Centro-Oeste chegaria, ao final de fevereiro de 2027, a um valor 13,2 ponto porcentual (p.p.) acima do registrado no mesmo período de 2026. Já na hipótese menos favorável, ficará 13,7 p.p. abaixo do verificado no mesmo mês avaliado.

As mesmas projeções para o SIN indicam, para o final de fevereiro de 2027, 15,3 p.p. acima do mesmo período de 2026, na condição otimista; e, no cenário menos favorável, 10,6 p.p. inferior àquele verificado no mesmo mês do ano passado.

Estadão
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