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Setor de máquinas tem queda de receita em dezembro, com recuo de mercado interno

28 jan 2026 - 14h45
(atualizado às 15h55)
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A indústria de máquinas e equipamentos do Brasil espera desaceleração no crescimento do faturamento, impactada por juros e incertezas no comércio internacional e cambiais que dificultam exportações, segundo dados apresentados nesta quarta-feira pela associação que representa ‌o setor, Abimaq.

A expectativa para a receita líquida total do setor para este ano é de crescimento de ‌4%, após uma expansão de 7,3% em 2025, para R$298,98 bilhões.

"A desaceleração a partir do segundo semestre (de 2025), deve continuar ao longo de 2026", disse a diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, em apresentação a jornalistas.

Zanella afirmou que embora a carteira de encomendas do segmento de infraestrutura continue "bastante elevada" e que ‍2026 seja um ano eleitoral em que algumas obras são aceleradas, o segmento de transformação segue sendo pressionado pelo endividamento das famílias.

Além disso, o mercado internacional segue "bastante conturbado e isso deve impactar negativamente nas vendas de máquinas do Brasil", acrescentou Zanella, citando ainda um câmbio menos propício para exportações.

No ‌conjunto de previsões da Abimaq, a expectativa para receita no mercado interno é ‌de expansão de 5,6%, as exportações devem mostrar estabilidade e os investimentos da indústria de máquinas devem subir 5,5%.

Em 2025, o faturamento no mercado interno subiu 8,4%, as exportações cresceram 5% e os investimentos aumentaram 11,8%, segundo os dados da Abimaq.

Em dezembro, a receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos teve queda de 3% ante o mesmo mês de 2024, para R$21,24 bilhões, segundo os dados da entidade.

O movimento foi pressionado pela queda do mercado interno, cuja receita no período recuou 10,5% na mesma comparação, para R$13,4 bilhões.

Apesar disso, a receita de exportação do setor disparou 30,2% em dezembro sobre um ano antes, para US$1,43 bilhão, acumulando em 2025 crescimento de 5%, para US$13,82 bilhões.

A entidade afirmou que as exportações para os Estados Unidos caíram 9,1% no ano passado, diante das tarifas impostas pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, e os EUA perderam participação no total das vendas externas de máquinas do Brasil, passando de 27% em 2024 para 23% no ano passado.

Enquanto isso, as vendas externas para a Argentina subiram 38,4% no ano passado, afirmou a Abimaq, houve ainda crescimentos nas exportações brasileiras de máquinas de 74,3% para ‌Cingapura, de 17% para o Chile e de 22,5% para o Peru.

A carteira de pedidos da indústria de máquinas do Brasil em dezembro subiu 4% ante dezembro de 2024, atingindo 9,5 semanas. A utilização da capacidade instalada do setor encerrou dezembro em 78,4% ante 73,2% no mesmo mês de 2024.

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