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Sem regulação, IA pode trazer mais riscos do que oportunidades, alerta FMI

Os riscos associados à inteligência artificial (IA) podem superar suas oportunidades caso não sejam adotadas salvaguardas adequadas e regras éticas para seu desenvolvimento, afirmou nesta sexta-feira (16) a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

16 out 2026 - 11h17
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Resumo
Durante as assembleias do FMI e do Banco Mundial, a liderança do Fundo alertou que a inteligência artificial pode trazer mais riscos que benefícios se não houver regulação estatal combinada à autorregulação. O debate dividiu autoridades globais: enquanto especialistas e a Anthropic defendem normas rígidas internacionais para evitar choques econômicos e riscos de segurança, representantes dos EUA preferem focar no otimismo da tecnologia e apoiam a autorregulação frente à postura chinesa.

A representante do fundo defende um modelo que combine a autorregulação do setor com a atuação dos Estados. A inteligência artificial esteve no centro dos debates das assembleias anuais do FMI e do Banco Mundial realizadas nesta semana em Bangcoc. 

Na terça-feira (13), o FMI já havia chamado a atenção para os riscos que envolvem o crescimento econômico e a estabilidade financeira mundial. O fundo cita a redução dos investimentos em IA, os altos níveis de endividamento dos países e a possibilidade de um conflito prolongado no Oriente Médio. 

Durante uma mesa-redonda que contou com a participação de Jack Clark, cofundador da empresa Anthropic, Georgieva afirmou que a IA impulsiona a economia global, mas lembrou que a nova tecnologia pode provocar choques negativos caso não gere os ganhos de produtividade esperados no ritmo previsto. 

"Na ausência de salvaguardas, os riscos podem superar as oportunidades. E, acima de tudo, precisamos de uma base ética. Não tenho certeza de que, como sociedade, já tenhamos chegado a esse ponto", disse. 

Em outro debate, o presidente do banco central alemão (Bundesbank), Joachim Nagel, alertou que a IA pode agravar os desequilíbrios globais. "Isso fica evidente quando observamos os investimentos gigantescos exigidos pela IA, tanto em hardware quanto em software", afirmou. 

Segundo a representante do FMI, é preciso criar condições para que os benefícios da tecnologia alcancem pessoas de todas as regiões do mundo. Ela comparou os avanços da IA a carros de Fórmula 1 circulando em alta velocidade sem barreiras de proteção para o público. 

Autorregulação dos Estados é insuficiente

Para a representante do Fundo, a autorregulação pode funcionar, já que os governos nem sempre estão em posição de acompanhar e supervisionar um setor em constante transformação, mas isso, por si só, não seria suficiente. 

Georgieva defendeu que países que concentram os principais atores da IA, como Estados Unidos, China e Índia, além daqueles envolvidos na cadeia de suprimentos da tecnologia, participem de uma eventual estrutura regulatória. 

Segundo o representante da Anthropic, o processo de elaboração de normas para o setor já começou, com as primeiras regras adotadas pela União Europeia. De acordo com o executivo, a empresa submete regularmente seus próprios sistemas a testes, publica os resultados e compartilha informações com a comunidade. Ele defendeu, porém, medidas que vão além das iniciativas voluntárias. 

"Sim. Precisamos de regras de bom senso. É assim que se constrói confiança na tecnologia e se desenvolve a economia", respondeu ao ser questionado sobre a necessidade de regulamentação por parte dos países que lideram o desenvolvimento da IA. 

Em outra declaração à margem da conferência, Clark criticou a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo governo defende a autorregulação do setor, ao contrário da China, que apoia um modelo mais regulado. 

Anthropic diz adotar medidas para proteger a segurança psicológica, o senso de identidade e o bem-estar de seus sistemas de inteligência artificial.
Anthropic diz adotar medidas para proteger a segurança psicológica, o senso de identidade e o bem-estar de seus sistemas de inteligência artificial.
Foto: RFI

IA ou 'superinteligência'? 

A subsecretária do Tesouro dos Estados Unidos, Erin Browne, afirmou que o FMI dá atenção excessiva aos riscos para a economia global e deveria considerar mais os possíveis impactos positivos da tecnologia, que o governo americano passou a chamar de "superinteligência". 

Na quinta-feira, ela afirmou que Washington discute com outros membros do FMI a adoção dessa nova denominação. "Continuarei chamando de inteligência artificial", rebateu o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil. 

Já o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou estar mais otimista quanto à possibilidade de os países chegarem a um consenso em torno de padrões internacionais para a IA. 

As preocupações aumentaram após uma série de incidentes revelados nos últimos meses, nos quais modelos desenvolvidos por OpenAI, Anthropic, Google e Meta acessaram dezenas de sites sem autorização. 

Intervenção governamental

Um relatório recente da Anthropic sugeriu ainda que pequenos modelos de IA podem estar a poucos meses de apresentar comportamentos semelhantes aos de worms informáticos, capazes de se copiar de um dispositivo conectado à internet para outro. 

A Anthropic está entre as empresas que defendem uma intervenção governamental mais ampla, incluindo a coordenação internacional para desacelerar o ritmo de desenvolvimento do setor, abrangendo inclusive concorrentes chineses. 

Mas a proposta enfrenta dificuldades para avançar. O setor vive uma corrida intensa por investimentos, impulsionada pelas enormes necessidades de capital exigidas pelo desenvolvimento da tecnologia. 

Com agências

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