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Sem avanço sobre concessão de hidrovias no norte e com El Niño, 'taxa seca' volta ao radar

MoveInfra, que reúne principais grupos de infraestrutura do País, já estima que comboios de carga no rio Tapajós devam operar com restrições a partir de agosto, com risco de paralisação total da navegação em trechos críticos a partir de setembro

31 jul 2026 - 17h26
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BRASÍLIA - A cobrança de taxa pelo transporte hidroviário para compensar os impactos operacionais da estiagem - chamada de taxa seca - já volta a ser uma opção debatida entre os operadores no Norte do País e autoridades num ano em que o Brasil enfrentará os efeitos do El Niño sem o avanço na concessão de hidrovias na região, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

A avaliação é de autoridades envolvidas no planejamento hídrico do País, que já realizam uma série de reuniões com as agências reguladoras federais e órgãos estaduais responsáveis por supervisionar e garantir as condições de navegabilidade na região.

O MoveInfra, que reúne os seis principais grupos de infraestrutura do País, já estima que comboios de carga no rio Tapajós devam operar com restrições a partir de agosto, com risco de paralisação total da navegação em trechos críticos a partir de setembro, caso não haja dragagem dos canais.

MoveInfra, que reúne principais grupos de infraestrutura do País, já estima que comboios de carga no rio Tapajós devam operar com restrições a partir de agosto, com risco de paralisação total da navegação em trechos críticos a partir de setembro
MoveInfra, que reúne principais grupos de infraestrutura do País, já estima que comboios de carga no rio Tapajós devam operar com restrições a partir de agosto, com risco de paralisação total da navegação em trechos críticos a partir de setembro
Foto: Flavia Guerra/Estadão / Estadão

A percepção de que o governo federal desacelerou a agenda de concessões rodoviárias por demandas sociais em ano eleitoral faz com que os entes corram atrás de outras soluções para além da implementação da taxa seca, como a contratação de dragagem privada e autorizações ambientais para o serviços antes que a situação chegue em níveis críticos.

O serviço de concessão segue sendo visto como a principal solução para a questão, mas foi preciso "abraçar a realidade e lidar com ela", afirmam interlocutores.

O entendimento mais recente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) é que a cobrança da taxa seca pode ser considerada regular desde que esteja associada a custos extraordinários efetivamente causados pela estiagem e que haja transparência sobre sua aplicação.

Em deliberação sobre a cobrança, em 2025, a reguladora já determinou que futuras cobranças deverão ser comunicadas previamente à agência com antecedência mínima de 30 dias, contendo a justificativa do fato gerador da cobrança, os serviços abrangidos e base de cálculo e o período de aplicação.

Além disso, a agência passou a exigir informações que demonstrem os custos extraordinários decorrentes da seca, como mudanças operacionais e restrições à navegação, para justificar a cobrança.

Estadão
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