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'Sem a ferrovia é pior', diz secretário sobre a recomendação do TCU de suspender a Ferrogrão

TCU recomendou suspender projeto até a realização de novas audiências públicas; para Ribeiro, que participa do evento 'P3C', em São Paulo, essa etapa foi cumprida

24 fev 2026 - 14h13
(atualizado às 14h15)
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Não construir a EF-170, também conhecida por Ferrogrão, é a pior alternativa do ponto de vista ambiental, disse Leonardo Cezar Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, ao saber do pedido de suspensão do projeto formalizado na manhã desta terça-feira, 24, pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Ribeiro participa do P3C 2026, evento realizado pela plataforma de eventos Necta e correalizado por Estadão, escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados e B3 que reúne governo, investidores e iniciativa privada do setor de infraestrutura nesta terça-feira, em São Paulo.

Usar rodovia implica um impacto maior, diz Ribeiro, porque, "ao longo dela, vão se criando ramificações, postos de combustíveis e outras estruturas que afetam ainda mais a floresta'
Usar rodovia implica um impacto maior, diz Ribeiro, porque, "ao longo dela, vão se criando ramificações, postos de combustíveis e outras estruturas que afetam ainda mais a floresta'
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Em relatório técnico, assinado por auditor federal de controle externo, o TCU recomendou a suspensão do andamento do projeto da Ferrogrão. A Corte de Contas vê necessidade de realizar audiências públicas, submetendo as modificações do projeto ao debate público.

"Nos últimos dois anos, oferecemos uma participação importante social, atualizamos o projeto, fizemos análise de custo-benefício. Os técnicos do Tribunal de Contas têm independência. Agora, precisamos entender por que o documento recomendou a suspensão. Mas a gente tem de respeitar as instituições, a independência dos auditores do TCU", disse Ribeiro.

Ele avalia que a decisão do TCU pode atrasar o projeto, com leilão previsto para setembro. A obra pode custar de R$ 28 bilhões a R$ 36 bilhões e promete reduzir custos de frete em mais de 30%.

Para o secretário, não fazer a ferrovia é a pior alternativa para os povos indígenas e demais comunidades afetadas. A produção do Centro-Oeste precisa ser escoada e, segundo ele, fazer isso por meio de rodovias, cria o que o especialista chama de efeito "espinha de peixe".

"A rodovia tem um impacto maior porque, ao longo dela, vão se criando ramificações, postos de combustíveis e outras estruturas que afetam ainda mais a floresta. A ferrovia é apenas linha férrea, e o impacto é o menor possível", afirmou.

Arco Verde

Nesta manhã, Ribeiro participou do debate "Diálogos sobre Infraestrutura", ao lado de Lilian Campos, superintendente de inteligência de mercado da Infra S/A, empresa pública ligada ao Ministério dos Transportes, e de Cloves Eduardo Benevides, subsecretário de sustentabilidade, também do ministério.

"O movimento de cargas nos portos brasileiros foi mais intenso nos últimos anos nos portos do Nordeste, por conta da produção de grãos", explicou Lilian Campos. "E onde tem portos, é preciso ter ferrovias", disse ela. A Infra S/A, explicou a executiva, a estruturadora dos projetos do governo.

Um deles é o Arco Norte, plano estratégico que abrange portos ou estações de transbordos dos Estados de Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão, regiões fundamentais para o escoamento dos grãos produzidos principalmente em Mato Grosso.

O objetivo do plano é integrar os portos e as estações de transbordo destes Estados e, assim, aumentar a exportação para a Europa, do Leste dos Estados Unidos e do Canal do Panamá, para chegar por meio dele à China.

O Arco Verde é um projeto que inclui vários modos de transporte, dentre eles ferrovia, rodovias e hidrovias. Os mais difíceis de viabilizar, segundo Lilian, são os de navegação por rios ou mar. "Os portos precisam ser modernizados, equipados, as embarcações precisam ser desenvolvidas. Ou seja, todo o sistema deve ainda ser construído e para isso precisamos de muito investimento", afirmou ela.

No entanto, o mercado financeiro, segundo Ribeiro, está ávido para aplicar no setor. "Há um apetite dos investidores porque esses investimentos têm um ótimo retorno, com muita rentabilidade", afirmou.

Estadão
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