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Secretário dos EUA afirma interesse em projetos nucleares no Brasil

Estados Unidos poderiam participar da construção de novas plantas nucleares e em projetos de exploração de urânio

2 fev 2020
23h31
atualizado em 3/2/2020 às 05h46
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RIO - De olho no crescimento da fonte nuclear na matriz energética brasileira, o governo americano está fazendo uma ofensiva para garantir seu espaço nesse mercado. No Rio para a primeira reunião do Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos (USBEF), nesta segunda-feira, 3, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillete, afirma que há interesse da indústria americana em participar da construção de eventuais novas plantas nucleares no Brasil e em projetos de exploração de urânio, hoje monopólio estatal.

Brouillette veio ao Rio acompanhado de representantes da indústria nuclear dos Estados Unidos, como a Westinghouse. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, vai assinar uma carta de intenções entre a companhia norte-americana e a Eletronuclear relativa ao plano de extensão da vida útil da usina de Angra 1 por mais 20 anos. Primeira central nuclear do País, Angra 1 entrou em operação em 1985 e sua atual licença vence em 2024.

O memorando seria um primeiro passo na cooperação entre os dois países na área nuclear. O secretário mencionou a possibilidade de troca de conhecimento, por exemplo, para o desenvolvimento de reatores nucleares de pequeno porte como os produzidos pela norte-americana NuScale e que, ele apontou como fundamentais para o desenvolvimento econômico de áreas rurais remotas do País. Além, é claro, da construção ou fornecimento de tecnologia caso avance o plano de construção de novas usinas nucleares.

"A indústria americana tem uma longa experiência com energia nuclear. Se a decisão do governo Bolsonaro for construir novas plantas estaremos prontos a participar desse esforço", afirmou a jornalistas. O mesmo vale para serviços de enriquecimento e conversão de urânio.

Questionado sobre as críticas ao governo brasileiro na esfera ambiental, Brouillete defendeu que ao iniciar tratativas para desenvolver o setor nuclear o Brasil está demonstrando seu compromisso com a economia de baixo carbono. A avaliação do secretário é que o espaço para ampliar a participação da fonte hídrica na matriz energética brasileira está esgotada e que para avançar em fontes renováveis como eólica e solar, que são intermitentes, o País terá que investir em outra fonte mais estável como nuclear ou gás.

O ministro Bento Albuquerque tem afirmado que a expansão da energia nuclear é uma prioridade no atual governo. Os planos incluem a construção de mais seis reatores nucleares no Brasil nos próximos 10 anos, com investimentos de US$ 30 bilhões.

A criação do Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos (USBEF) foi uma iniciativa surgida em março de 2019 durante um encontro entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro em Washington. Em pauta estará uma agenda de cooperação conjunta com foco em três áreas: petróleo e gás; energia nuclear; e eletricidade/eficiência energética.

Além da carta de intenções assinada entre Eletronuclear e Westinhouse haverá ainda a cerimônia da assinatura de um Memorando de Entendimento que amplia a cooperação bilateral entre a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan) e o Instituto de Energia Nuclear (NEI, na sigla em inglês).

O evento contará com uma delegação de autoridades de diversas agências americanas, incluindo o Departamento de Comércio, Departamento de Estado, Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA, Departamento do Tesouro, Escritório do Representante Comercial dos EUA e Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA.

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Estadão
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