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Saiba quais são as grandes empresas do País com maior presença de mulheres na alta liderança em 2026

28 mai 2026 - 11h43
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A presença de mulheres em conselhos de administração chegou, em 2026, a 22,8% e em diretorias executivas, a 17,1% das empresas do Ibovespa - o principal índice da Bolsa de Valores, que engloba as 83 organizações que movimentam o maior volume de recursos no mercado acionário. No ano passado, a participação feminina era de 21,3% e 16,4%, respectivamente. Isso significa que houve um crescimento de 6,7% nos colegiados e de 4,6% nas diretorias.

A velocidade de inclusão das mulheres na liderança de grandes empresas brasileiras melhorou na comparação com 2024 e 2025, mas ainda é aquém da necessária, de acordo com especialistas em diversidade e inclusão (leia mais aqui). Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo quinto ano consecutivo pelo Estadão, na primeira iniciativa do País em que é possível conhecer a situação, por empresa, da presença feminina em cargos de liderança (veja abaixo).

"Quando temos um avanço nesse ritmo, não estamos mudando a questão de gênero no mundo corporativo de forma estrutural, estamos fazendo uma adaptação incremental. Com um crescimento tão pequeno, o receio é que qualquer retrocesso político e cultural possa reverter essa tendência (de maior equidade). Isso é algo que já estamos vendo fora do País", diz Margareth Goldenberg, gestora executiva do Mulher 360, um movimento empresarial que trabalha por empoderamento feminino e equidade de gênero.

"O avanço que tivemos em 2026 é incompatível com a urgência do tema e o número de mulheres qualificadas no mercado", acrescenta Goldenberg.

Ainda de acordo com os dados levantados pelo Estadão, o número de mulheres nos mais altos degraus da hierarquia também cresceu nos últimos 12 meses. Atualmente, são quatro as mulheres que ocupam o cargo de CEO e sete as que lideram conselhos de administração de companhias do Ibovespa. Se forem somadas as 11 mulheres nessas posições, elas chegam a 7,2% do total. Um ano atrás, eram três CEOs e cinco presidentes de conselho, somando sete mulheres, ou 4,8%.

As informações foram coletadas entre 18 e 27 de maio nos sites de relações com investidores das companhias, partindo do princípio de que, por questão de transparência, as empresas devem manter suas páginas atualizadas. O levantamento considerou como membros das diretorias todos os profissionais que foram destacados pelas próprias organizações em suas páginas.

Hoje, das 76 companhias do Ibovespa, Petrobrás, Banco do Brasil, Fleury e Copasa têm CEOs mulheres - as três primeiras já eram lideradas por mulheres em 2024 e a Copasa passou a fazer parte do Ibovespa neste ano. Magazine Luiza, Santander, Banco do Brasil, Klabin, Braskem e Azzas têm mulheres à frente dos conselhos (nas quatro primeiras, as presidentes já ocupavam a função em 2024).

Entre as companhias com menor desigualdade de gênero em seu comando estão a Petrobrás, a Natura, Banco do Brasil, B3, Grupo Porto (antiga Porto Seguro). Entre as piores para mulheres ascenderem, com nenhuma no conselho ou na diretoria estão CSN (SID Nacional) e Brava Energia.

Este foi o quinto ano consecutivo em que a CSN figurou entre as empresas sem mulheres em sua alta liderança. Em nota, a companhia afirmou ter mulheres em "posições estratégicas de liderança" e que o levantamento do Estadão não contempla informações da empresa, além de adotar "critérios e metodologias próprias que não refletem o modelo de governança e a estrutura organizacional do Grupo CSN". A empresa destacou ter 28% de mulheres em seu quadro de colaboradores e adotar um programa para desenvolver lideranças femininas.

Pelo segundo ano consecutivo entre as companhias sem mulheres no comando - antes a empresa não fazia parte do Ibovespa -, a Brava não retornou a reportagem.

O levantamento do Estadão mostra ainda que 58% das mulheres nas diretorias executivas lideram áreas de apoio, principalmente jurídica, RH e de sustentabilidade. Quando as mulheres não chegam aos setores considerados "core" (atividade principal da empresa), elas dificilmente alcançam um cargo de presidente, de acordo com especialistas da área.

Esse número reflete o que especialistas chamam de divisão sexual do conhecimento. Se antes as mulheres ficavam em casa cuidando dos filhos e, num segundo momento, após romperem essa primeira barreira, se tornaram professoras e enfermeiras, agora é praticamente natural que a lógica do cuidado continue sendo reproduzida. Por isso, é mais comum que mulheres sejam encarregadas da gestão de pessoas e da sustentabilidade, e menos de finanças, tecnologia e operacional.

O que é 'degrau quebrado'

No mundo corporativo, o problema de as mulheres não alcançarem os cargos mais altos é conhecido como "degrau quebrado". Isso porque as mulheres, em grande parte, têm acesso ao mercado de trabalho; mas, conforme se aproximam do topo da hierarquia das organizações, encontram obstáculos que dificultam a ascensão. As opções são, assim, parar por ali ou fazer um esforço muito maior para subir esse degrau.

Dados do Instituto Ethos de 2023 e 2024 mostram que, entre as 1.100 maiores empresas do País, a participação feminina entre aprendizes e estagiários era de 57,4% e 54,5%, respectivamente. Mas esses números vão caindo até chegar a 37,3% nas posições de gerência e de 27,4% nas de diretoria executiva. Isso ocorre apesar de o nível de instrução das mulheres ser superior ao dos homens.

Estadão
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