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Saiba como ficam seus investimentos com a Selic a 5,50% ao ano

Com juro menor, renda fixa vira 'seguro'; para ganhar dinheiro, investidor terá de abrir mão de liquidez ou asumir riscos, com produtos como açoes, apontam especialistas

18 set 2019
13h38
atualizado em 19/9/2019 às 18h11
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A queda na taxa de juros Selic, que nesta quarta-feira, 18, registrou novo piso histórico, forçará o aplicador brasileiro, habituado à renda fixa, a fazer escolhas mais difíceis, se não quiser ver o patrimônio andando de lado. Para conseguir algum ganho, de acordo com especialistas, ele terá de abrir mão da liquidez (deixando o dinheiro aportado por mais tempo no mercado financeiro) ou assumir riscos extras para sua carteira, com produtos como ações e fundos imobiliários - sujeitos a oscilações e não isentos de prejuízos.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic, a taxa básica de juros, em 0,50 ponto porcentual, de 6% para 5,5% ao ano. Esse é o segundo corte da taxa no atual ciclo, após período de 16 meses de estabilidade. Com isso, a Selic está agora em novo piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

Para o superintendente de portfólios de investimento do Itaú Unibanco, Victor Vietti, o que agora sobra para o investidor pessoa física é uma carteira com opções cada vez mais enxutas (e similares) dentro da renda fixa, aquele investimento em que o dinheiro é aplicado com uma garantia mínima de retorno após um determinado tempo. "A renda fixa sempre terá mercado, mas a gente está recomendando aplicação em Bolsa desde o final de 2018", diz.

Produtos como CDBs, fundos DI e poupança, na opinião da coordenadora do curso de economia do Insper, Juliana Inhasz, vão virar uma espécie de "seguro" para o patrimônio do investidor. "Esquece essa história de ganhar dinheiro com o CDB. Essas aplicações servem para repor as perdas com inflação, variações cambiais."

Já Gilberto Abreu, diretor de investimentos do banco Santander, diz que o investidor deve aprender a olhar para o mercado financeiro evitando fazer comparações com o passado. "É um mundo novo, e ainda bem. Renda fixa paga pouco no mundo inteiro. O que acontecia no Brasil era uma incorreção do nosso mercado."

Em simulação para o Estado, a economista Paula Sauer, professora da ESPM e planejadora financeira da Planejar, chama atenção para o bom resultado projetado para os produtos com vencimento de longo prazo (acima de cinco anos). Destaque para as Letras de Crédito (tanto imobiliárias, as LCIs, quanto de agronegócio, LCAs). "O que garante o bom resultado desses produtos é a isenção do Imposto de Renda. E, mesmo assim, o porcentual de CDI que serve de remuneração para as letras está atrelado ao prazo. Quanto maior o prazo sem mexer no dinheiro, melhor a remuneração", observa.

Dados do buscador de investimentos Yubb apontam que, dos cerca de 1 mil LCAs e LCIs lançados recentemente, só 2% (171 produtos) apresentam retorno acima de 114% do CDI. "As letras poderiam ser classificadas como boas alternativas. Mas como elas são títulos lançados por empresas para financiar projetos de investimentos, e hoje eles estão escassos, está mais difícil encontrar esse papel no mercado", conta Bernardo Pascowitch, do Yubb.

O novo cenário de juros baixos, que o investidor brasileiro não está acostumado, vai exigir uma diversificação maior da carteira de investimentos, na avaliação de Rodrigo Ayub, gerente geral de Captação e Investimentos do Banco do Brasil (BB). "O monoproduto na hora de investir vai ter de ser deixado de lado", afirma.

O gerente do BB lembra que, quando a taxa básica de juros estava em 14,5% ao ano, o investidor praticamente dobrava o capital aplicado a cada cinco anos. Agora, com a Selic recuando para 5,5% ao ano, serão necessários 13 anos para conseguir o mesmo feito. Isso significa que o brasileiro terá de diversificar e arriscar mais para obter uma rentabilidade maior.

Nesse aspecto, ele recomenda que o investidor procure saber exatemente os papéis que compõem os fundos de investimentos mais arriscados. Há fundos multimercados, por exemplo, com mais de dois terços de aplicações em Bolsa. Outros, diz o especialista, a Bolsa nem aparece. "É preciso entender a dinâmica de cada produto." No caso de fundos com maior volatilidade e risco, ele recomenda que o investidor tenha a disponibilidade de deixar o dinheiro aplicado por mais tempo para reduzir os impactos das fortes oscilações.

Caderneta

Com a nova queda na Selic, a poupança, principal destino do dinheiro do brasileiro, perdeu atração. O investimento, que até então rendia 4,20% ao ano, superando assim boa parte dos fundos de renda fixa, recuou para 3,85%, um pouco acima da inflação, estimada em 3,60% pelo último relatório do Banco Central. Os fundos DI, que administram uma carteira de renda fixa, também ficaram para trás. Alguns deles, em função da taxa de administração, chegam perder para a inflação por quase 1 ponto porcentual. Já no Tesouro Direto, os títulos de curto prazo atrelados à Selic ficam muito próximos à poupança. A recomendação aqui, mais uma vez, são títulos de médio e longo prazo, acima de 12 meses, atrelados à inflação.

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Estadão
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