Restrição da UE à carne brasileira atende a interesses particulares, diz ex-embaixador dos EUA
Para Thomas Shannon, barreira às exportações do Brasil serve a propósito político imediato e acaba 'minando visão estratégica mais ampla'
NOVA YORK - A União Europeia (UE) deveria estar buscando melhores maneiras de cooperar com parceiros comerciais neste momento, na avaliação de Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil e ex-subsecretário do Estado para Assuntos Políticos e do Hemisfério Ocidental. No lugar disso, os europeus estão criando novas restrições à carne brasileira.
A UE anunciou, na terça-feira, 12, que suspenderá as compras dos produtos de origem animal e de animais vivos do Brasil por entender que o País não cumpre exigências contra o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida, validada pelos Estados-membros, estabelece quais países poderão continuar acessando o mercado europeu a partir de 3 de setembro de 2026, com base no Regulamento (UE) 2019/6.
Enquanto o Brasil foi retirado por não fornecer garantias sobre a não utilização dessas substâncias para fins de crescimento ou rendimento, outros parceiros do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem autorizados a embarcar carnes de bovinos, ovinos e aves.
"A Europa está respondendo a interesses muito peculiares e específicos dos produtores de carne europeus", disse Shannon, depois de participar de painel do Summit Valor Econômico Brazil-USA nesta quarta-feira, terceiro dia da Brazil Week.
Essa decisão, segundo o ex-embaixador americano no Brasil, é equivocada. "No cenário mundial atual, entendo que eles terão de aprender, mesmo que de uma maneira dolorosa, que esse tipo de restrição serve a um propósito político imediato, mas acaba, na verdade, minando uma visão estratégica mais ampla", disse.
Shannon acrescentou que, à medida que a competição entre os Estados Unidos e a China se intensifica, o papel de países como o Brasil torna-se muito importante.
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