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Resiliência econômica da Europa dá ao BCE mais margem de manobra para ajustar juros, diz Lagarde

29 jun 2026 - 16h36
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A economia da zona do euro ‌parece ter desenvolvido maior resiliência a choques econômicos, permitindo que o Banco Central Europeu (BCE) aumente as taxas de juros com mais facilidade, sem temer que isso provoque tensões financeiras, afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Essa resiliência pode ser útil, já que o bloco monetário de 21 países ⁠deve enfrentar um número crescente de choques inflacionários nos próximos anos, com os ‌formuladores de política monetária provavelmente ficando diante do dilema de simplesmente ignorar a volatilidade dos preços ou agir com firmeza, disse Lagarde em ‌um discurso na segunda-feira.

O BCE tornou-se, neste ‌mês, o primeiro grande banco central do mundo a aumentar as ⁠taxas de juros em resposta ao choque energético causado pela guerra no Irã, e os formuladores de política monetária estão agora debatendo se é necessária uma medida adicional para conter as pressões sobre os preços.

Essa resiliência econômica é resultado do conjunto reforçado de ferramentas do BCE, da arquitetura financeira ‌aprimorada da zona do euro como um todo e de uma série de ‌outros instrumentos, como a ⁠supervisão bancária conjunta.

"Embora ⁠seja mais provável que enfrentemos choques que afastem a inflação da meta, a resiliência ⁠que a Europa construiu significa que ‌seus efeitos sobre nossa economia ‌são mais contidos", disse Lagarde em fórum do BCE.

"Podemos, portanto, nos encontrar com mais frequência em uma zona intermediária, entre choques que podemos ignorar e aqueles aos quais devemos reagir com firmeza."

Encontrar a resposta ⁠correta nessa zona cinzenta exigiu inovação por parte do BCE, e o banco se baseará nas inovações dos últimos anos para suas próximas decisões, disse Lagarde.

O banco agora utiliza avanços na análise de dados para obter um panorama em tempo real ‌da evolução econômicas e dos preços e tem investido fortemente na melhoria de suas projeções, que se mostraram confiáveis diante da volatilidade dos últimos ⁠meses.

"E os dois se reforçam mutuamente: podemos continuamente comparar nossas previsões com os dados que chegam para verificar se elas continuam no caminho certo, de modo que não acabemos nos baseando em previsões desatualizadas", disse Lagarde.

Essa estrutura de política monetária dá ao BCE tempo para agir, à medida que os mercados financeiros começam a precificar os movimentos bem antes que a política monetária real seja alterada. Assim, o BCE não fica sob pressão de tempo para intervir.

Os mercados já antecipavam um aumento de juros bem antes de o BCE tomar a decisão em junho, dando às autoridades monetárias tempo para realmente analisar os dados e tomar uma decisão com mais confiança, disse Lagarde.

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